AGU remove orientações do sistema após a operação Sem Desconto

Documentos internos que orientavam suspensão de ações e isenção de responsabilidade do INSS foram deletados. Confira no Poder360.

2 min de leitura
AGU apresenta ao STF pedido contra Estados que anteciparam doses de reforço

AGU apresenta ao STF pedido contra Estados que anteciparam doses de reforço

AGU Remove Orientações sobre Descontos Associativos em Aposentadorias

A Advocacia Geral da União (AGU) excluiu do seu sistema interno, conhecido como Sapiens, as orientações e modelos utilizados desde o início do atual governo em processos relacionados a descontos associativos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A remoção ocorreu após a operação Sem Desconto, que foi iniciada em abril de 2025. As diretrizes, que estavam em vigor desde 2023 sob a liderança do ministro Jorge Messias, orientavam advogados públicos a buscar a suspensão de ações judiciais sobre descontos indevidos e a isentar a autarquia previdenciária de responsabilidades pelos danos causados aos beneficiários.

Diretrizes Anteriores da AGU

As orientações estavam documentadas em pelo menos dois textos: a Orientação Interna nº 6/2023 e o PGF Comunica nº 59/2023. Ambos os documentos instruíam os procuradores federais a:

Como não havia um prazo definido para a conclusão dessas uniformizações, os processos poderiam ficar suspensos por longos períodos. A estratégia também incluía a aplicação do tema 183 da TNU, que isentou o INSS de responsabilidade em fraudes relacionadas a empréstimos consignados.

Alterações Após a Operação Sem Desconto

As diretrizes permaneceram válidas até a operação Sem Desconto, realizada em 23 de abril de 2025, que expôs um esquema de desvio de aposentadorias por meio de descontos ilegais. Após essa operação, Messias implementou mudanças significativas: a suspensão dos processos passou a ter um limite máximo de 120 dias.

Além disso, a AGU retirou do Sapiens todas as orientações anteriores, incluindo teses e modelos que estavam em vigor desde o início do governo até a operação policial. A AGU justificou a exclusão afirmando que documentos são atualizados conforme a evolução do contexto jurídico e fático, evitando assim o uso de informações desatualizadas.

Pedido de Informações ao Congresso

A remoção das orientações coincidiu com um pedido de informações da deputada Adriana Ventura (Novo-SP), membro da CPMI do INSS. No Requerimento de Informações da Câmara dos Deputados (RIC) 1826/2025, ela solicitou cópias de todas as orientações técnicas da AGU sobre litígios envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

A AGU respondeu ao requerimento em julho de 2025, mas não forneceu a íntegra das orientações internas, que foram posteriormente excluídas do sistema. A deputada e o primeiro-secretário da Câmara, Carlos Veras (PT-PE), contestaram a versão da AGU, afirmando que apenas um PDF de 11 páginas foi enviado, sem incluir os documentos solicitados.

Adriana Ventura expressou preocupação com a falta de clareza da AGU sobre os critérios adotados nos processos judiciais envolvendo o INSS, levantando questões sobre se a AGU está realmente defendendo a sociedade ou protegendo o governo.

Fonte por: Poder 360

Sair da versão mobile