Comportamento e Doença de Alzheimer: Entendendo as Alterações
As manifestações cognitivas, especialmente relacionadas à memória e funções executivas, são frequentemente observadas na doença de Alzheimer. No entanto, alterações comportamentais, como transtornos do humor, também são comuns e podem ter uma base genética, envolvendo genes como APOE, GRIN1, GRIN2B1 e ACE2. Nas últimas décadas, a identificação dessas alterações comportamentais tornou-se crucial, sendo necessário reconhecê-las antes do desenvolvimento da demência.
Importância da Identificação das Mudanças Comportamentais
A distinção entre comportamentos normais e patológicos no envelhecimento levou à criação dos conceitos de comprometimento cognitivo leve e comprometimento comportamental leve. Esses estágios ocorrem antes do surgimento da demência, quando ainda não há declínio funcional significativo. É fundamental ressaltar que mudanças comportamentais em idosos não devem ser consideradas normais.
O comprometimento comportamental leve se caracteriza por mudanças persistentes que afetam a sociabilidade ou o desempenho no trabalho, sem causas secundárias identificáveis. Embora possa ocorrer junto ao comprometimento cognitivo leve, não há critérios para diagnosticar demência nesse estágio, que é definido pelo comprometimento comportamental leve.
Comportamentos que Devem Ser Considerados
Alguns comportamentos, como desinibição e distúrbios alimentares, podem não se encaixar nas classificações tradicionais, mas devem ser considerados. A desinibição pode manifestar-se como comportamento socialmente inadequado, enquanto distúrbios do sono, embora não incluídos na classificação, frequentemente ocorrem com outros sintomas comportamentais e estão associados ao risco de declínio cognitivo. O transtorno comportamental do sono REM, por exemplo, é um preditor importante de demências como a demência com corpúsculos de Lewy.
Risco de Declínio Cognitivo
O comprometimento comportamental leve representa um aumento do risco para declínio cognitivo e conversão para demência, podendo ser um sinal inicial da síndrome demencial. A presença de sintomas como impulsividade, alucinações e apatia está associada a um risco maior de declínio cognitivo. Embora anormalidades perceptivas sejam menos frequentes, elas podem triplicar o risco de demência e impactar a identidade e autonomia dos pacientes.
Impacto dos Sintomas Comportamentais
Quase 60% dos pacientes com comprometimento cognitivo leve apresentam sintomas comportamentais exacerbados, especialmente no tipo amnéstico, onde a queixa de memória é predominante. Esses sintomas não apenas agravam a funcionalidade e a qualidade de vida, mas também aumentam o estresse dos cuidadores, elevando os índices de institucionalização e mortalidade.
Tratamentos e Abordagens Terapêuticas
Estudos têm buscado biomarcadores associados a sintomas comportamentais específicos, com associações mais fortes observadas em casos de agitação e delírios. Medicamentos antipsicóticos podem melhorar padrões de sono e comportamentos, mas também apresentam riscos, como aumento do declínio cognitivo. Antidepressivos são considerados alternativas mais seguras, embora não sejam eficazes para sintomas psicóticos. A relação entre risco e benefício do tratamento farmacológico deve ser cuidadosamente avaliada.
Critérios Diagnósticos para Comprometimento Comportamental Leve
As mudanças no comportamento ou personalidade devem ser observadas por pacientes, acompanhantes ou médicos, iniciando após os 50 anos e persistindo por pelo menos 6 meses. Os critérios incluem:
- Motivação reduzida (apatia, indiferença);
- Descontrole afetivo (ansiedade, irritabilidade);
- Impulsividade (agitação, desinibição);
- Comportamentos socialmente inadequados;
- Anormalidades perceptivas (delírios, alucinações).
Esses comportamentos devem comprometer pelo menos um domínio, como relacionamentos interpessoais ou desempenho laboral, e não podem ser atribuídos a transtornos psiquiátricos ou uso de substâncias.
Fonte por: Jovem Pan
