A Amcham Brasil solicitou diálogo ao governo dos Estados Unidos na investigação da Seção 301 sobre as práticas comerciais brasileiras. O documento foi encaminhado na segunda-feira (18.ago.2025) ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).
A organização declarou que a cooperação pode evitar tarifas e impactos negativos sobre empresas e trabalhadores. Também criticou a tarifa de 50% aplicada recentemente por Washington sobre parte das exportações brasileiras. Afirmou que medidas abrangentes desse tipo podem trazer “efeitos adversos” para empresas, cadeias produtivas e trabalhadores em ambos os países, além de abrir espaço para eventuais contramedidas brasileiras.
De acordo com a Amcham, os dois países apresentam intensa integração econômica. Em 2024, os Estados Unidos obtiveram superávit de 6,8 bilhões de dólares em produtos e 23,1 bilhões de dólares em serviços no comércio com o Brasil, totalizando 257 bilhões de dólares em 10 anos. Mais de 70% das exportações norte-americanas acessam o mercado brasileiro sem tarifas, enquanto a média no Brasil é de 2,7%, inferior aos 5,2% aplicados globalmente.
O Brasil representa uma fonte de capital para os Estados Unidos, impulsionando mais de 110 mil empregos. Por outro lado, existem mais de 3.900 empresas americanas no país, que repatriaram US$ 54,2 bilhões em lucros entre 2015 e 2024. A Amcham ressaltou também avanços em propriedade intelectual e a meta de desmatamento zero até 2030, com uma redução de 30% da área desmatada entre 2023 e 2024.
A organização defendeu o aumento da cooperação em biocombustíveis, aviação sustentável e comércio digital. Para a Amcham, barreiras comerciais não resolveriam desafios e poderiam comprometer objetivos compartilhados.
Fonte por: Poder 360