Análise: Trump enfrenta resistência de parte de sua base sobre Venezuela

Cinco senadores republicanos apoiam medida para restringir operações militares do presidente americano na Venezuela sem autorização do Congresso; Lourival Sant’…

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Donald Trump em Washington

Donald Trump em Washington

Senadores se unem contra ações militares de Trump na Venezuela

Cinco senadores republicanos se aliaram à bancada democrata no Senado dos Estados Unidos para aprovar uma medida que visa restringir Donald Trump de realizar novas ações militares na Venezuela sem a autorização do Congresso. A votação resultou em 52 votos a favor e 47 contra, marcando um momento raro de união bipartidária contra as intenções do presidente em relação ao país sul-americano.

A proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Representantes e pode enfrentar um veto presidencial. No entanto, reflete uma crescente preocupação entre os legisladores sobre os limites do poder executivo em questões de política externa. Para derrubar um possível veto de Trump, seria necessário o apoio de dois terços das duas casas do Congresso, o que exigiria uma ampla coalizão bipartidária.

Reação de Trump e contexto político

Após a votação, Trump expressou sua indignação nas redes sociais, afirmando que os senadores que apoiaram a medida “jamais deveriam ser eleitos novamente” e que a resolução “prejudica gravemente a autodefesa e a segurança nacional dos Estados Unidos”. O presidente também afirmou que “os Estados Unidos podem permanecer envolvidos na Venezuela durante anos”, contradizendo sua postura anterior contra intervenções militares prolongadas.

A votação ocorreu um dia após a Casa Branca apresentar seu plano para a Venezuela aos parlamentares. Enquanto os democratas criticaram o plano, alguns republicanos demonstraram ceticismo em relação à condução da operação por Trump, especialmente após a exclusão da oposição venezuelana após a derrubada de Maduro.

Impacto eleitoral e a posição dos senadores

Fontes indicam que a decisão dos senadores republicanos pode estar ligada a preocupações eleitorais. Há uma percepção de que a maneira como Trump tem conduzido a situação na Venezuela não é bem recebida pelos eleitores independentes. Um senador mencionou que “quem estará na urna em novembro não é Trump, somos nós”.

Além disso, a questão político-eleitoral é significativa, já que mais da metade dos americanos se opõe às políticas de Trump em relação à imigração e à Venezuela. O presidente expressou preocupação com a possibilidade de os democratas conquistarem a maioria na Câmara e no Senado, o que poderia resultar em seu impeachment.

Recuperação do protagonismo do Congresso

A medida também representa uma tentativa do Congresso americano de recuperar protagonismo nas decisões presidenciais, especialmente em operações militares no exterior. Durante seu governo, Trump ampliou os poderes do executivo, muitas vezes ignorando o papel tradicional do legislativo em questões de política externa.

Analistas observam que a postura atual de Trump contradiz sua promessa de campanha de evitar envolvimentos militares prolongados e intervenções para mudança de regime. Ao sugerir um envolvimento de longo prazo na Venezuela, o presidente vai contra sua própria retórica do “America First”, que criticava as “guerras intermináveis”. A mobilização militar para manter o controle é considerada inviável em termos de custos e capacidade das forças armadas, segundo especialistas.

Fonte por: CNN Brasil

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