Autocoleta de Urina e Material Vaginal para Detecção do HPV
A coleta domiciliar de urina e material vaginal para a detecção do vírus HPV (papilomavírus humano) pode se tornar uma estratégia eficaz na prevenção do câncer de colo do útero. Um estudo realizado por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) revela que a autocoleta apresenta desempenho semelhante ao exame Papanicolau realizado em consultório.
O câncer de colo do útero é a principal causa de morte entre mulheres de até 36 anos no Brasil, mesmo com a disponibilidade de vacinas. De acordo com a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), uma pessoa é diagnosticada com câncer relacionado ao HPV a cada minuto no mundo, resultando em cerca de 19 óbitos diários no Brasil.
Resultados do Estudo
Pesquisadores do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e do Hospital das Clínicas da USP analisaram amostras de 100 mulheres com mais de 21 anos. Os resultados indicaram uma alta concordância entre a autocoleta e o exame realizado por médicos, especialmente na identificação do HPV16, o tipo mais associado ao câncer.
A pesquisadora Lara Termini destacou que a autocoleta é uma abordagem mais inclusiva e acessível, permitindo que as mulheres realizem a coleta de forma autônoma, fora do ambiente clínico. Essa alternativa pode ajudar a superar barreiras como medo, falta de tempo e dificuldades culturais que muitas mulheres enfrentam ao buscar o exame tradicional.
Uso Internacional da Autocoleta
A autocoleta vaginal já é uma prática adotada em sistemas de saúde de países como Holanda, Austrália, Suécia e Dinamarca, contribuindo para a ampliação da cobertura de rastreamento e diagnóstico do câncer de colo do útero.
O ginecologista Renato Moretti, do Hospital Israelita Albert Einstein, ressaltou que essa iniciativa está alinhada com a meta da OMS (Organização Mundial da Saúde) de erradicar o câncer de colo do útero até 2030, prevendo que, sem medidas de prevenção, a doença poderá causar 411 mil mortes anuais até o final da década.
Rastreamento e Prevenção no Brasil
O SUS (Sistema Único de Saúde) incorporou o teste molecular para HPV em agosto de 2025, permitindo a identificação de alterações precursoras até 10 anos antes do exame Papanicolau. O Ministério da Saúde anunciou que essa metodologia será implantada gradualmente, substituindo o exame citopatológico tradicional.
A vacinação gratuita no SUS, disponível para jovens de 9 a 19 anos, é a principal forma de prevenção. Além disso, o uso de preservativos e a adoção de hábitos saudáveis, como não fumar, também ajudam a reduzir os riscos associados ao câncer de colo do útero.
Fonte por: Poder 360
