Bancos Centrais se mobilizam contra a inflação gerada pela guerra

Autoridades se preparam para novo cenário com política monetária restritiva devido à alta dos preços dos combustíveis no Oriente Médio.

19/03/2026 17:20

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Sede do Fed, em Washington

Bancos Centrais em Alerta Contra Inflação

Na quinta-feira (19), os bancos centrais de várias nações, incluindo os Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Canadá e da zona do euro, afirmaram estar prontos para adotar uma política monetária mais rigorosa em resposta ao aumento da inflação. Essa preocupação surge após a recente escalada da guerra no Irã, que afetou a infraestrutura energética do Oriente Médio e elevou os preços dos combustíveis.

Os bancos centrais, que se reuniram esta semana, estão determinados a controlar a inflação sem prejudicar o crescimento econômico, evitando a temida estagflação, que combina recessão e aumento de preços. Após críticas sobre a lentidão em suas ações durante a alta da inflação pós-Covid, as autoridades financeiras estão mais vigilantes.

Decisões de Política Monetária

Na quarta-feira, o Federal Reserve e o Banco do Canadá decidiram manter as taxas de juros, assim como o Banco do Japão, o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu na quinta-feira. Apesar de manterem as taxas, os bancos centrais expressaram preocupação com o aumento dos preços da energia, que pode desencadear uma inflação generalizada, especialmente se as famílias começarem a exigir salários mais altos para preservar seu poder de compra.

O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, destacou que a política monetária não pode reverter os choques no fornecimento de energia, mas deve responder ao risco de uma inflação persistente. O Banco Central Europeu também revisou suas previsões de inflação para a zona do euro, prevendo um aumento para 2,6% em 2026, acima da meta de 2%.

Impactos da Guerra no Oriente Médio

Os recentes ataques iranianos, que danificaram a maior usina de gás do mundo no Catar, aumentam as preocupações sobre o fornecimento de energia global. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que, embora os preços mais altos da energia possam aumentar a inflação no curto prazo, ainda é cedo para avaliar o impacto total na economia.

Em Tóquio, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, não descartou a possibilidade de um aumento nas taxas de juros se o impacto do aumento dos custos do petróleo for temporário. O presidente do Banco do Canadá, Tiff Macklem, também alertou que não permitirão que os altos preços da energia se tornem uma inflação persistente.

Risco de Estagflação Global

O banco central da Austrália elevou suas taxas de juros, alertando sobre os riscos inflacionários decorrentes do aumento do preço do petróleo. O Banco Central do Brasil, por sua vez, optou por um corte cauteloso na Selic, reduzindo-a para 14,75%, um movimento menor do que o esperado. Na Europa, tanto o Banco Nacional da Suíça quanto o Riksbank da Suécia decidiram manter suas taxas de juros, refletindo a incerteza sobre os impactos econômicos da guerra.

Fonte por: CNN Brasil

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