Bolivianos comparecem às urnas para eleições presidenciais e legislativas
Realização do pleito nesta segunda-feira (18.ago); candidatos de direita vêm em primeiro lugar nas pesquisas para o Executivo e o Congresso, após períod…

Bolivianos votarão neste domingo (17.ago.2025) nas eleições presidenciais e legislativas do país. De acordo com pesquisas de intenção de voto, o pleito deve representar o término da hegemonia da esquerda e possibilitar uma mudança política inédita desde 2006.
A situação se deve à crise econômica do país, com alta inflação – 24,86% em julho –, baixas reservas cambiais e falta de combustíveis e produtos básicos, o que resultou na baixa popularidade do atual presidente Luis Arce (independente, esquerda).
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Segundo informações oficiais do governo boliviano, aproximadamente 7,9 milhões de eleitores estão aptos a votar, incluindo cerca de 370 mil residentes no exterior. O total da população boliviana é estimado em aproximadamente 11,3 milhões de habitantes.
Para evitar um segundo turno na Presidência em 19 de outubro, o candidato necessitaria de mais de 50% dos votos, ou 40%, com 10 pontos percentuais a mais que o segundo colocado. Os mandatos do Executivo e do Legislativo têm duração de 5 anos, com posse marcada para 8 de novembro.
Na disputa pela presidência, nenhum candidato obteve acima de 25% nas pesquisas. Samuel Doria Medina, empresário de centro-direita e candidato da Aliança Unidade, e Jorge “Tuto” Quiroga, ex-presidente, lideram a corrida, com intenções de voto entre 20% e 25%. Ambos competiram contra Evo Morales (Evo Pueblo, esquerda) em 2006 e em 2014.
As principais propostas de campanha dos candidatos concentram-se na recuperação econômica. Medina promete um “plano de choque” para estabilizar a economia em 100 dias. Já Quiroga propõe políticas de segurança e ordem, aproveitando sua experiência anterior à frente do Executivo (2001-2002).
No campo partidário tradicional, o MAS (Movimento ao Socialismo), que exerceu hegemonia desde 2005, apresenta fragmentação. Luis Arce, expulso do partido em 2023, renunciou à reeleição. Evo Morales, líder histórico do MAS, foi impedido judicialmente de concorrer, o que gerou protestos e conflitos com vítimas fatais e feridos no início do ano. Morales promoveu uma campanha simbólica de votos nulos como forma de protesto.
Eduardo del Castillo, ex-ministro de Governo de Arce e representante da sigla que governou o país de 2006 a 2025, obteve a sétima posição no último levantamento, com menos de 2% das intenções de voto.
À esquerda, observa-se Andrônico Rodríguez, presidente do Senado desde 2020 e ex-aliado de Morales, que busca se apresentar como alternativa de renovação do cenário político. Contudo, suas perspectivas são limitadas, considerando que a base de apoio tradicional do MAS tem demonstrado crescente insatisfação, optando por pautas econômicas mais práticas. Na última pesquisa, ele figura em 5º lugar, com menos de 9% das intenções de voto.
As eleições de domingo (17.ago) marcam a primeira eleição desde 2006 em que a direita tem chances reais de conquistar não só a Presidência, mas também a maioria no Congresso. Se o cenário se concretizar, representará uma mudança política de grandes proporções no país.
A eleição também abrange a renovação de 130 cadeiras da Câmara dos Deputados e 36 no Senado, sendo necessárias 66 cadeiras na Casa Baixa e 19 na Casa Alta para garantir a maioria absoluta.
Ao contrário de outros países sul-americanos que empregam urnas eletrônicas, a Bolívia utiliza o sistema de votação em papel, com a contagem manual dos votos.
Fonte por: Poder 360