Câmara autoriza mudança no calendário de realização de concursos devido a festividades religiosas
A legislação garante aos candidatos o direito a horários alternativos em concursos e vestibulares em razão de crenças.

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (12.ago.2025) projeto de lei que possibilita a realização de provas vestibulares e de concursos públicos em horário especial por razões religiosas. O texto será enviado ao Senado.
A regulamentação abrange majoritariamente adventistas e judeus, que não cumprem obrigações das sextas à sábados. De acordo com a aprovação em plenário, as provas poderão ser realizadas por instituições públicas ou privadas, de domingo a sexta-feira, das 8h às 18h.
Caso não seja possível, e a prova seja realizada no sábado, a entidade organizadora deve permitir ao candidato a realização das provas após das 18h do sábado, se alegar e comprovar convicção religiosa.
Caso a prova seja realizada aos sábados e um candidato assim se declarar, ele permanecerá incomunicável do horário regular previsto para os exames até o início do horário alternativo previamente determinado.
Faltas
O projeto contempla o abono de faltas aos alunos nos sábados, em virtude dessa convicção religiosa. Aulas programadas das 18h de sexta-feira até as 18h de sábado serão compensadas se o aluno apresentar ao estabelecimento de ensino declaração da entidade religiosa a que pertence, com assinatura reconhecida, comprovando sua condição de membro congregante.
A instituição de ensino poderá solicitar ao aluno a execução de uma tarefa substitutiva que compense a ausência justificada.
A falsidade ideológica é considerada crime ao apresentar declaração falsa dessa convicção religiosa para não comparecer aos compromissos.
Discussão em sessão plenária
Para o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), o projeto harmoniza o princípio do Estado laico com os concursos públicos: “A liberdade de consciência e de crença deve estar compatível com a igualdade de oportunidades em concursos e exames”.
O parlamentar considera que o texto estabelece uma adequação pertinente entre o direito fundamental e as práticas religiosas.
O deputado Eli Borges (PL-TO) declarou que o projeto demonstra respeito às instituições religiosas e suas particularidades. “O grupo da igreja adventista seria prejudicado caso houvesse algum concurso aos sábados”, afirmou.
Contudo, o deputado Luiz Lima (Novo-RJ) considera que o projeto “não tem pé nem cabeça”: “Daqui a pouco vão discutir se vai poder ter jogo de futebol no sábado, festa. Projeto absurdo”.
Com informações da Agência Câmara.
Fonte por: Poder 360