Canadá Anuncia Nova Política para Veículos Elétricos Chineses
O governo canadense permitirá a entrada de até 49.000 veículos elétricos (VEs) chineses anualmente, com uma tarifa de 6,1%. Essa decisão, anunciada pelo primeiro-ministro Mark Carney em 16 de janeiro de 2026, marca uma mudança significativa nas relações comerciais entre o Canadá e a China, coincidindo com a primeira visita oficial de um líder canadense ao país em oito anos.
A nova política estabelece uma cota específica para montadoras chinesas, facilitando o acesso ao mercado norte-americano, que anteriormente era restringido por tarifas elevadas e investigações comerciais. Essa medida representa uma recalibração da postura comercial de Ottawa em relação a Pequim.
Detalhes do Acordo e Implicações
O novo sistema de cotas substituirá a tarifa punitiva de 100% que foi implementada em 1º de outubro de 2024. O limite de 49.000 veículos corresponde ao volume anual de exportações chinesas de VEs para o Canadá em 2023 e 2024, representando menos de 3% do mercado de carros novos do país nesse período.
Além disso, o governo canadense planeja incentivar empresas chinesas a estabelecer joint ventures no Canadá nos próximos três anos, visando fortalecer a cadeia de suprimentos local de veículos elétricos. O objetivo é garantir que mais da metade dos veículos importados tenha um preço inferior a C$ 35.000 (US$ 25.147) nos próximos cinco anos, oferecendo opções mais acessíveis aos consumidores.
Impacto no Mercado Automotivo
Em 2023, o Canadá importou cerca de 44.000 carros totalmente elétricos da China, totalizando aproximadamente C$ 2,2 bilhões (US$ 1,6 bilhão), conforme dados do Statistics Canada. A consultoria DesRosiers Automotive Consultants prevê que as vendas totais de automóveis no Canadá aumentarão 2%, alcançando 1,9 milhão de unidades em 2025, com os veículos elétricos representando de 12% a 14% do mercado.
Comparação com a Política dos EUA
A decisão do Canadá contrasta com a política tarifária dos Estados Unidos, que impôs uma taxa de 100% sobre veículos elétricos chineses em setembro de 2024, citando subsídios injustos. Anteriormente, empresas chinesas de baterias e automóveis haviam abandonado planos de construir fábricas na América do Norte devido a tensões comerciais, excluindo a região de suas previsões de expansão.
A possibilidade de estabelecer operações de manufatura no Canadá poderia oferecer às empresas chinesas acesso ao mercado americano sob o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá), desde que regras específicas de origem sejam atendidas. Contudo, as três nações devem negociar a extensão do USMCA em julho de 2026, o que torna o futuro incerto.
Conclusão
Enquanto os Estados Unidos mantêm barreiras comerciais rigorosas contra veículos elétricos chineses, o presidente Donald Trump recentemente sugeriu uma possível mudança de política, afirmando que aceitaria montadoras chinesas que construíssem fábricas nos EUA, desde que contratassem trabalhadores locais. A nova abordagem do Canadá pode sinalizar uma nova era nas relações comerciais entre os dois países e a China.
Fonte por: Poder 360
