Mudanças na Defesa de Daniel Vorcaro
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, anunciou uma alteração em sua equipe de defesa nesta sexta-feira (13). O advogado Pierpaolo Bottini foi substituído por José Luís Oliveira Lima, conhecido como Dr. Juca. Essa mudança abre a possibilidade de Vorcaro considerar um acordo de delação premiada.
Bottini era contrário à utilização desse recurso como estratégia jurídica, ao contrário de Dr. Juca, que possui especialização em delação premiada. O novo advogado também representa o general Walter Braga Netto, que foi condenado a 26 anos de prisão por sua participação em um esquema golpista.
Após sua prisão, Vorcaro já havia realizado uma sondagem inicial com representantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF) sobre a viabilidade de um acordo de delação premiada. As negociações ainda estão em fase inicial e não houve a formalização de um termo de confidencialidade.
Contexto do Caso Master
Em 18 de novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A e de outras instituições do conglomerado, após identificar indícios de irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez. No dia 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital de Vorcaro, também teve seu encerramento forçado.
A liquidação do Banco Master foi acompanhada pela Operação Compliance Zero, que visava combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional. Vorcaro foi preso um dia antes da operação, mas foi liberado posteriormente com o uso de tornozeleira eletrônica, sendo detido novamente em 4 de março.
As investigações revelaram que o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidades muito acima do mercado, o que levou a instituição a assumir riscos excessivos e inflar artificialmente seu balanço financeiro, enquanto sua liquidez se deteriorava.
Os casos envolvendo o Banco Master e a gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são considerados os mais graves do sistema financeiro brasileiro, envolvendo fraudes e tensões entre o STF, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimentos e Banco Letsbank, com um total de garantias que soma R$ 40,6 bilhões.
Fonte por: Jovem Pan
