Apagões em São Paulo: Enel e a Questão das Árvores
Flavio Cattaneo, presidente-executivo da Enel, declarou que os apagões causados pela queda de árvores na Grande São Paulo são inevitáveis nas atuais condições da rede elétrica. A afirmação foi feita durante uma apresentação do novo plano estratégico da empresa.
Cattaneo destacou que o problema não é exclusivo da Enel e que, se a arborização continuar da mesma forma, a situação se tornará insustentável. Ele enfatizou que, em eventos climáticos extremos, a queda de galhos e troncos pode danificar a rede elétrica, dificultando o restabelecimento do serviço.
Medidas e Desafios da Enel
A Enel mapeou aproximadamente 770 mil árvores na sua área de concessão em colaboração com as prefeituras. Durante o apagão de dezembro, apenas 9 das 145 árvores que caíram eram consideradas de risco. A empresa afirma ter melhorado em 50% os indicadores de qualidade do serviço em São Paulo em 2025.
Entretanto, a companhia enfrenta forte pressão pública e regulatória devido aos apagões prolongados. Em dezembro de 2025, uma ventania deixou cerca de 4,4 milhões de consumidores sem energia na região metropolitana.
Processo de Caducidade da Concessão
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) está analisando um processo que pode levar à caducidade da concessão da Enel em São Paulo, o que resultaria na perda do contrato. O processo foi iniciado em novembro do ano passado, mas sua tramitação foi suspensa após um pedido de vista.
Uma decisão sobre a prorrogação do prazo para análise ou a retomada do julgamento deve ser tomada em breve. O diretor Gentil Nogueira de Sá Júnior solicitou mais 60 dias para apresentar seu voto sobre a atuação da distribuidora durante as ocorrências emergenciais de dezembro de 2025.
Perspectivas Futuras
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a orientação do governo é que a concessão da Enel passe por um processo de caducidade. Essa medida é considerada punitiva e implica o encerramento do contrato devido ao descumprimento de obrigações contratuais.
Alternativamente, pode haver uma mudança de controle da concessão, permitindo a troca de comando da distribuidora sem romper o contrato. Silveira expressou a intenção de que a Aneel julgue a caducidade até o final de fevereiro, buscando uma resolução rápida para a situação.
Fonte por: Poder 360
