Otan se Tornará Mais Europeia com Aumento de Gastos Militares
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está se preparando para uma maior liderança europeia, conforme os países do continente aumentam seus investimentos em defesa. A afirmação foi feita pelo secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, durante a Conferência de Segurança de Munique, realizada na última sexta-feira (13).
Rutte destacou que, nos próximos anos, a Otan se tornará progressivamente mais europeia, enquanto os Estados Unidos continuarão a desempenhar um papel fundamental na organização. Ele enfatizou a importância de um equilíbrio entre os esforços europeus e o apoio americano.
Aumento de Investimentos Militares na Europa
A União Europeia se comprometeu a investir 800 bilhões de euros em defesa até 2030, através do plano denominado ReArme Europe. Países como Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia já aumentaram seus gastos militares para mais de 3% do PIB, refletindo a preocupação com a segurança regional, especialmente em relação à Rússia e Belarus.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, apoiou a visão de Rutte, afirmando que a participação europeia é essencial para estabilizar a aliança. Ele reconheceu que, historicamente, a Europa tem contribuído pouco para a segurança coletiva.
Desafios e Expectativas para a Otan
Pistorius também comentou sobre a necessidade de uma distribuição mais equitativa dos encargos de defesa, ressaltando que os Estados Unidos esperam que os aliados europeus assumam um papel mais ativo na defesa convencional. Ele afirmou que a Otan deve se tornar mais europeia para manter sua relevância transatlântica.
O foco nos Estados Unidos surge em um contexto em que o país demonstra uma disposição reduzida em relação à Otan. Recentemente, o presidente americano, Donald Trump, fez declarações polêmicas sobre a Groenlândia e sobre seu papel na aliança, afirmando ter feito mais pela Otan do que qualquer outro líder.
Expectativas para a Conferência de Segurança de Munique
Durante a Conferência de Segurança de Munique de 2025, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, criticou os líderes europeus, alegando que a verdadeira ameaça ao continente vem de dentro, referindo-se às políticas de imigração da União Europeia. Vance não estará presente neste ano, e a Casa Branca enviou o secretário de Estado, Marco Rubio, que fará um discurso no evento.
Alguns líderes europeus expressaram que não esperam um discurso tão contundente quanto o de Vance no ano anterior, mas não descartam essa possibilidade. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, também reconheceu que o discurso de Rubio pode ser firme, mas confia que ele incentivará os europeus a assumirem um papel de liderança na aliança.
Fonte por: CNN Brasil
