China reage à UE com ameaças após implementação do imposto de carbono

Imposto sobre emissões de carbono entra em vigor integralmente a partir de 1º de janeiro; saiba mais no Poder360.

06/01/2026 5:30

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Bobinas de aço

China Responde ao Imposto de Carbono da UE

Pequim anunciou que tomará “todas as medidas necessárias” após a implementação do imposto de carbono na fronteira da União Europeia (UE). Essa nova medida pode elevar consideravelmente os custos das exportações chinesas, especialmente no setor de aço, colocando em risco a competitividade dos produtos chineses no mercado europeu.

O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), que começou a valer integralmente em 1º de janeiro de 2026, após um período de transição de dois anos, exige que importadores de aço, alumínio, cimento, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio adquiram certificados para compensar as emissões de carbono de seus produtos.

Impactos do CBAM na Indústria Chinesa

Esse mecanismo visa forçar os importadores a pagarem a diferença entre o preço do carbono em seus países e o da UE, com o objetivo de evitar a “fuga de carbono”, onde empresas da UE transferem sua produção para locais com regulamentações ambientais mais brandas.

O Ministério do Comércio da China declarou que, apesar da disposição do país em colaborar com os desafios climáticos globais, tomará medidas firmes contra restrições comerciais injustas, buscando proteger seus interesses de desenvolvimento e a estabilidade das cadeias de suprimentos globais.

Desafios para a Indústria Siderúrgica

A indústria siderúrgica chinesa deve enfrentar os maiores desafios financeiros devido ao novo regime. Produtos siderúrgicos representam mais de 70% do comércio afetado pelo CBAM. A produção de aço na China, que depende de métodos com alta emissão de carbono, fará com que os exportadores chineses sejam os principais compradores de certificados do CBAM.

Embora o volume total das exportações de aço da China para a UE seja relativamente pequeno, a maioria dos embarques consiste em produtos de alto valor agregado, essenciais para a competitividade no mercado europeu. Em 2024, a China exportou quase 2 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos acabados para a UE, correspondendo a 7,2% das importações totais de aço do bloco.

Custos e Desigualdades de Carbono

A pressão sobre os exportadores é intensificada por um relatório da associação europeia de metais EUROMETAL, que indicou um aumento nos valores padrão de intensidade de carbono para diversos países, incluindo a China. Se a UE não aceitar os dados de emissões de uma empresa, valores padrão mais altos serão aplicados, elevando os custos das exportações chinesas.

Estima-se que a utilização de valores padrão possa adicionar cerca de 144 euros (US$ 168) por tonelada ao custo das exportações de aço da China para a UE, um valor significativamente maior em comparação com outros países, como Brasil e Turquia. A diferença entre os preços do carbono na China e na UE, que é de aproximadamente 70 yuans (US$ 10) por tonelada na China e cerca de 90 euros na UE, também contribui para essa disparidade.

Conclusão sobre o Impacto do CBAM

Os custos relacionados ao CBAM podem aumentar as despesas totais dos importadores de setores como aço, alumínio, fertilizantes e cimento em mais de 12 bilhões de euros a partir de 2026, representando cerca de 15% do valor dessas importações. A implementação do CBAM representa um desafio significativo para a indústria chinesa, que terá que se adaptar a essas novas exigências para manter sua competitividade no mercado europeu.

Fonte por: Poder 360

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