Citi prevê que cota fará carne do Brasil perder competitividade na China

Dependência do mercado chinês revela vulnerabilidades no setor brasileiro, com risco de superprodução e redução de margens.

3 min de leitura
Carne bovina pode ser beneficiada pelo acordo UE-Mercosul

Carne bovina pode ser beneficiada pelo acordo UE-Mercosul

Impacto das Cotas de Importação de Carne Bovina pela China

A implementação de cotas pela China para a importação de carne bovina brasileira, a partir de 2026, promete transformar o mercado, afetando diretamente preços e margens do setor, conforme análise do Citibank. O país asiático, que por anos foi o principal motor das exportações, deve passar a ser um fator de pressão no mercado.

Em um relatório divulgado no fechamento do mercado, o Citibank descreve a China como a “espinha dorsal da rentabilidade da carne bovina brasileira”. No entanto, a instituição alerta para uma mudança negativa nos negócios devido ao rápido consumo das cotas. Com aproximadamente 55% das exportações brasileiras destinadas à China, essa alteração é vista como um “reajuste estrutural” e não apenas uma mudança pontual. O banco estima que 33,6% da cota anual já foi utilizada nos primeiros dois meses do ano, indicando um possível esgotamento em julho.

Expectativas para o Mercado de Carne Bovina

O cenário sugere que o primeiro semestre será sustentado pela demanda chinesa, enquanto o segundo semestre pode ser mais desafiador. Após o limite de cota ser atingido, as exportações que excederem essa quantidade enfrentarão tarifas elevadas, o que reduzirá significativamente a competitividade no mercado chinês.

O efeito imediato dessa mudança deve ser o redirecionamento de cerca de 600 mil toneladas de carne bovina para outros mercados. Sem um destino alternativo que absorva esse volume com preços comparáveis aos da China, as cotações internacionais e o mercado interno poderão ser pressionados.

Desafios e Oportunidades para as Empresas

O relatório do Citibank indica que o ajuste no mercado não será gradual, mas sim abrupto. A concentração das exportações no início do ano pode intensificar essa mudança, que será analisada nas próximas semanas. O banco já observa dois fatores de pressão: um maior risco de queda nos preços e a compressão das margens no segundo semestre.

Entre as empresas do setor, a Minerva é destacada como a mais exposta, devido à sua dependência das exportações para a China. Por outro lado, JBS e Marfrig estão relativamente mais protegidas, embora também sofram impactos indiretos na dinâmica de preços.

Produção e Desafios Sanitários

Apesar da expectativa de uma queda de 4% a 5% na produção brasileira, devido ao ciclo de retenção de matrizes, o Citibank acredita que essa redução não será suficiente para mitigar o impacto das cotas. Parte da diminuição será absorvida internamente, limitando o efeito sobre o excedente exportável.

A perda de espaço no mercado chinês é ainda mais significativa, pois se trata do destino com maior liquidez e disposição a pagar. Sem esse mercado, os embarques podem ser redirecionados para locais menos rentáveis ou para o consumo interno.

O banco também considera os efeitos de um recente surto de febre aftosa, que, embora considerado irrelevante em termos de oferta, pode influenciar decisões de política comercial. Restrições sanitárias podem afetar os fluxos de exportação, enquanto um aumento na demanda chinesa por importações poderia aliviar parcialmente as cotas, embora esse fator seja visto como secundário.

Conclusão sobre o Cenário do Mercado de Carne Bovina

Mesmo com possíveis compensações, como ajustes de política ou mudanças na dinâmica de estoques, o Citibank avalia que o balanço de riscos permanece negativo. A substituição do consumo na China tende a favorecer proteínas mais baratas, como frango e suínos, limitando o espaço para a carne bovina. O relatório destaca que, enquanto o impacto negativo das cotas é imediato e claro, os fatores que poderiam aliviar essa situação são incertos e insuficientes para reverter a tendência de ajuste no mercado ao longo de 2026.

Fonte por: CNN Brasil

Sair da versão mobile