CNI aponta piora no desempenho e finanças da pequena indústria em 2025
Empresários mantêm desconfiança na economia brasileira há 14 meses; expectativas para os próximos 6 meses são moderadas.
Desempenho das Indústrias de Pequeno Porte em 2025
O desempenho e as finanças das indústrias de pequeno porte, que representam 94,2% das empresas industriais, apresentaram queda em 2025 em comparação a 2024. Essa informação foi divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no relatório intitulado “Panorama da Pequena Indústria”.
De acordo com a pesquisa, o índice de desempenho das pequenas indústrias ficou em 45,5 pontos no 4º trimestre de 2025, uma diminuição em relação à média de 46,8 pontos do mesmo período do ano anterior. Esse resultado indica que a atividade industrial desse segmento encerrou o ano em uma situação pior do que em 2024.
Situação Financeira e Desafios Enfrentados
Embora o índice que mede a situação financeira das pequenas indústrias tenha registrado um aumento de 0,5 ponto entre o 3º e o 4º trimestre de 2025, ele ainda ficou abaixo do nível observado no final de 2024, evidenciando a deterioração das finanças dessas empresas. O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, destacou que o ano passado foi marcado por um cenário mais negativo em comparação a 2024, quando houve um aumento significativo na demanda por bens industriais.
Para calcular o índice de desempenho, a CNI considera três variáveis: produção, utilização do parque industrial e número de empregados. Já o índice de situação financeira avalia a margem de lucro operacional, as condições financeiras e a facilidade de acesso ao crédito, variando de 0 a 100 pontos.
Principais Problemas Enfrentados
A elevada carga tributária foi identificada como o principal desafio enfrentado pelas pequenas indústrias no 4º trimestre de 2025, com 42,7% dos empresários da indústria de transformação e 44,7% dos da construção apontando essa questão. Azevedo enfatizou que a carga tributária compromete a competitividade das empresas, tanto na exportação quanto na concorrência com produtos importados.
Em segundo lugar, a falta ou o alto custo de mão de obra qualificada foi mencionada por 29,2% dos empresários da indústria de transformação, enquanto na construção, a falta de mão de obra não qualificada ocupou a segunda posição, com 30,9%. As altas taxas de juros foram citadas como uma preocupação por 27,6% e 30,9% dos empresários de ambos os segmentos, respectivamente.
Confiança do Empresário Industrial
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das pequenas indústrias permaneceu em 47,9 pontos entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, indicando um quadro de pessimismo persistente, já que o índice está há 14 meses abaixo da linha de 50 pontos. Além disso, os empresários demonstram cautela em relação ao futuro, com o índice de perspectivas, que avalia a expectativa de demanda, número de empregados e intenção de investimento, registrando 47,4 pontos em janeiro de 2026, inferior aos 48,2 pontos do mesmo mês do ano anterior.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Redação
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