CNI aponta que juros altos impedem crédito para 80% das indústrias
Pesquisa revela que custo financeiro restringe investimentos da indústria em cenário de Selic alta. Confira no Poder360.
Dificuldades de Crédito no Setor Industrial
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 80% das empresas industriais que enfrentaram dificuldades para obter crédito atribuem o problema aos altos juros. Essa informação destaca o custo do dinheiro como o principal obstáculo ao financiamento produtivo, refletindo a cautela do setor em relação a novos investimentos. Os dados fazem parte da Sondagem Especial nº 98, divulgada em 20 de janeiro de 2026.
De acordo com a pesquisa, os juros elevados são apontados como o maior empecilho por 80% dos empresários que tiveram dificuldades em obter crédito de curto ou médio prazo, que se estende até cinco anos. Outros fatores incluem a exigência de garantias reais, mencionada por 32% dos entrevistados, e a falta de linhas de crédito adequadas, citada por 17%.
Essa mesma tendência se repete no crédito de longo prazo, onde 71% dos industriais mencionaram os juros altos como um problema. A exigência de garantias e a falta de opções compatíveis com os projetos foram citadas por 31% e 17%, respectivamente.
Impacto da Política Monetária
A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, destaca que a atual política monetária é restritiva, com a taxa Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%. Essa situação torna o crédito mais caro, desestimulando investimentos em expansão e inovação, o que compromete a competitividade da indústria.
Baixa Busca por Financiamentos
Mais da metade das empresas, 54%, não tentou contratar ou renovar crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à pesquisa. No mesmo período, 49% não buscaram crédito de curto ou médio prazo. Apenas 26% conseguiram contratar ou renovar operações de curto prazo, enquanto esse percentual cai para 17% no longo prazo.
Entre as empresas que buscaram financiamento, quase um terço das que tentaram crédito de longo prazo não obtiveram sucesso. No crédito de curto ou médio prazo, cerca de 20% não conseguiram fechar operações. As médias empresas enfrentaram mais dificuldades, com 43% sem acesso ao crédito de longo prazo.
Deterioração das Condições de Acesso
A pesquisa também aponta uma deterioração nas condições de acesso ao crédito. Entre as empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo, 35% relataram que as condições, como juros e exigência de garantias, pioraram entre fevereiro e julho de 2025. No crédito de longo prazo, essa avaliação foi feita por 33% das empresas.
Para 47% das companhias, as condições permaneceram as mesmas, enquanto apenas 14% conseguiram renovar crédito de curto ou médio prazo em condições melhores, percentual que diminui para 12% no longo prazo.
Baixa Adoção do Risco Sacado
A modalidade de risco sacado continua com baixa adesão, com apenas 13% das empresas afirmando ter contratado esse tipo de operação nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outros 54% não contrataram nem pretendem contratar, e 29% não souberam ou não quiseram responder.
O risco sacado é uma antecipação de recebíveis que envolve fornecedor, comprador e instituição financeira, onde o fornecedor recebe o pagamento à vista do banco, enquanto o comprador quita o valor diretamente com a instituição na data acordada.
Metodologia da Pesquisa
A Sondagem Especial nº 98 entrevistou 1.789 empresas industriais, sendo 713 pequenas, 637 médias e 439 grandes. O questionário foi aplicado entre 1º e 12 de agosto de 2025.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Redação
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