Desligando uma Ditadura na América Latina
A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela levanta questões sobre sua eficácia na promoção da redemocratização do país. A história mostrará se essa ação será benéfica ou se resultará em mais um episódio vergonhoso da política americana na América Latina.
O Papel dos EUA na Venezuela
O renomado comentarista Thomas Friedman sugere que a intenção de Trump é mais voltada para a exploração do petróleo do que para a libertação do povo venezuelano. O plano americano inclui estabilizar o regime, reconstruir a economia e, finalmente, redemocratizar o país. No entanto, a viabilidade desse plano é incerta, dado o controle do chavismo sobre a estrutura do Estado e a presença de milícias armadas.
Alternativas para a Venezuela
Uma das opções discutidas é a rápida abertura do regime, com a inclusão de líderes da oposição e a convocação de eleições. Contudo, essa visão otimista pode ser uma ilusão, considerando a desorganização da oposição. Outra alternativa seria trabalhar com o chavismo remanescente, mas isso levanta dúvidas sobre a credibilidade de um governo socialista sob a influência dos EUA.
Investimentos e Legitimidade
A legitimidade do governo de Maduro é um fator crucial para o investimento privado a longo prazo. Empresas americanas, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, já enfrentaram expropriações no passado, o que gera desconfiança em relação a novos investimentos. A estabilidade jurídica e a proteção dos direitos de propriedade são essenciais para atrair investimentos, algo que apenas um governo constitucional pode garantir.
Reflexões sobre a Intervenção
A questão da legitimidade da intervenção americana é complexa. A experiência de Obama em Cuba, que buscou um diálogo diplomático, resultou em um fracasso, mostrando que a abordagem de “soft power” pode não ser eficaz contra regimes autoritários. A atual estratégia de intervenção pode ser vista como uma tentativa de reconversão da Venezuela em uma democracia, mas seu sucesso ainda é incerto. O futuro dirá se essa abordagem trará resultados positivos ou se será mais um erro na história da América Latina.
Fonte por: Estadao
