CPMI do INSS registra 709 requerimentos pendentes e foca em apurações sobre consignados
Colegido revela que 1.538 documentos foram oficialmente recebidos, evidenciando a complexidade das investigações em andamento.
CPMI do INSS encerra ano legislativo com 709 requerimentos pendentes
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no INSS finalizou o ano legislativo com 709 requerimentos ainda não analisados. Esse número reflete o grande volume de informações coletadas durante os trabalhos. De acordo com dados do colegiado, 1.538 documentos já foram oficialmente recebidos, evidenciando a complexidade das investigações em andamento.
Na retomada das atividades, os parlamentares estão defendendo uma intensificação da apuração sobre operações de crédito consignado destinadas a aposentados e pensionistas, com especial atenção à atuação de instituições financeiras e intermediários. O Banco Master é um dos alvos, mencionado em requerimentos que buscam esclarecer possíveis irregularidades na concessão de empréstimos.
Convocação de Lulinha para depoimento
Parlamentares da oposição estão articulando a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para prestar depoimento como testemunha. O requerimento, ao qual a coluna teve acesso, argumenta que a oitiva é essencial para que a CPMI cumpra seu papel de fiscalizar e investigar atos que possam prejudicar o patrimônio público, especialmente aqueles que afetam milhões de aposentados.
O documento ressalta que o depoimento de Lulinha poderia esclarecer repasses financeiros, relações com investigados centrais, como o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e possíveis ramificações políticas do esquema. Os autores do pedido afirmam que a falta desses esclarecimentos pode comprometer a efetividade dos trabalhos da comissão.
Suspeitas e investigações em andamento
Reportagens indicam que Lulinha teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil, totalizando cerca de R$ 25 milhões, conforme depoimentos de ex-funcionários. As investigações sugerem que parte desses valores foi intermediada por empresas ligadas a Roberta Luchsinger, que é próxima da família de Lulinha.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal reforçam as suspeitas, com registros de pagamentos de R$ 300 mil a uma consultoria ligada a Luchsinger, destinados ao “filho do rapaz”, referência a Lulinha nas apurações sobre desvios previdenciários. Documentos da PF também confirmam que Lulinha e o “Careca do INSS” viajaram juntos em um voo da Latam, o que levanta indícios de proximidade entre os investigados.
Expectativas para o futuro da CPMI
Em 18 de dezembro de 2025, a Operação Sem Desconto da Polícia Federal teve como alvo Roberta Luchsinger, descrita como parte do núcleo político da organização criminosa liderada pelo “Careca do INSS”. Há indícios de que ela atuou como intermediária financeira e tentou obstruir provas, além de acessar informações sigilosas de forma indevida.
Os integrantes da mesa diretora da CPMI planejam apresentar, em fevereiro, o primeiro balanço oficial dos trabalhos. A expectativa é que não haja pedido de prorrogação por mais 90 dias, como cogitado anteriormente, e que o relatório final seja concluído e apresentado em março, consolidando as conclusões sobre um dos maiores esquemas de prejuízo a aposentados já analisados pelo Congresso.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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