Cuba afirma disposição para dialogar com EUA, mas sem mudança de regime
Autoridades cubanas apontam sanções econômicas dos EUA como causa da crise no setor energético do país.
Cuba se diz aberta ao diálogo com os EUA, mas rejeita mudança de governo
Cuba manifestou disposição para um diálogo “significativo” com os Estados Unidos, mas deixou claro que não está disposta a discutir a mudança de seu sistema de governo. O vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossío, fez essas declarações em meio à crescente pressão do governo Trump sobre a ilha, que inclui ameaças de mudança de regime.
De Cossío afirmou que, embora ainda não exista um diálogo bilateral estabelecido, houve algumas trocas de mensagens entre os altos escalões do governo cubano e os EUA. Ele enfatizou que Cuba não está disposta a discutir seu sistema constitucional, assim como acredita que os EUA não estariam dispostos a discutir o seu.
Pressão dos EUA sobre Cuba
As declarações do vice-ministro surgem após comentários do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que expressou o desejo dos EUA de ver uma mudança de regime em Cuba. Essa pressão se intensificou, com os EUA tentando interromper o fornecimento de petróleo à ilha, especialmente após a interrupção do fornecimento da Venezuela.
Recentemente, os EUA ameaçaram impor tarifas a países que exportam petróleo para Cuba, alegando que a ilha representa uma “ameaça extraordinária” por se aliar a “países hostis”. De Cossío contestou essa justificativa, afirmando que Cuba não representa nenhuma ameaça aos Estados Unidos e pediu que Washington alivie sua campanha de pressão, que, segundo ele, já prejudicou a economia cubana.
Desafios enfrentados por Cuba
Os cubanos estão enfrentando apagões constantes e longas filas em postos de gasolina devido à escassez de combustível, uma situação que as autoridades atribuem em grande parte às sanções econômicas americanas. No entanto, críticos também apontam a falta de investimento em infraestrutura como um fator que agrava a crise.
O vice-ministro mencionou que Cuba pode precisar considerar medidas de austeridade para conservar o fornecimento de combustível, embora não tenha especificado a quantidade de reservas disponíveis. Ele comparou a situação do país a uma guerra em termos de medidas coercitivas econômicas.
Reação à operação dos EUA na Venezuela
Cuba ficou alarmada com a operação dos EUA em janeiro, que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e na morte de mais de 30 membros das forças de segurança cubanas que o protegiam. As autoridades cubanas prometeram combater qualquer ação militar semelhante contra a ilha e intensificaram os exercícios militares.
O presidente Trump também mencionou que o México, aliado próximo de Cuba, poderia suspender os embarques de petróleo. No entanto, o governo mexicano afirmou que seus contratos com Cuba continuam em vigor e que está buscando alternativas para ajudar a ilha a evitar as tarifas americanas.
Possibilidade de cooperação entre Cuba e EUA
A Embaixada dos EUA em Havana alertou os cidadãos americanos sobre a crise energética em Cuba, recomendando que economizassem recursos. De Cossío argumentou que o diálogo é uma alternativa mais eficaz do que a coerção e expressou a disposição de Cuba para discutir questões que possam beneficiar ambas as nações, como a segurança regional e o combate ao tráfico de drogas.
Ele destacou que Cuba já ajudou no passado e está disposta a continuar colaborando nesse sentido, caso os EUA estejam abertos à cooperação.
Fonte por: CNN Brasil
Autor(a):
Redação
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.