Delegada presa atuou em defesa de suspeitos ligados ao PCC e processou a PM do ES
Layla pode ser indiciada por exercício irregular da profissão, organização criminosa, falsidade ideológica e associação ao tráfico.
Delegada é presa sob suspeita de ligação com facção criminosa
A delegada Layla Lima Ayub foi presa na manhã de sexta-feira, 16, em São Paulo, durante a Operação Serpens, que investiga sua suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Registros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mostram que, nos últimos anos, ela atuou como advogada em processos criminais no Pará e moveu ações administrativas contra o Estado do Espírito Santo enquanto era policial militar.
A operação foi conduzida pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo em colaboração com o Gaeco do Pará. A investigação apura a atuação da delegada em favor da facção criminosa, incluindo vínculos pessoais e profissionais com membros do PCC.
Acusações e investigações em andamento
Layla será indiciada por exercício irregular da profissão, integração em organização criminosa, falsidade ideológica e associação para o tráfico. Durante sua prisão, ela admitiu ter ligações com a facção e confirmou que seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, é membro do PCC. A defesa da delegada ainda não se manifestou.
Conforme dados da OAB, Layla tinha inscrição principal no Pará, vinculada à subseção de Marabá, onde exercia a advocacia. Ela também possuía uma inscrição suplementar no Espírito Santo, que atualmente está cancelada, enquanto a inscrição no Pará permanece regular.
Atuação como advogada e processos judiciais
Consultas aos sistemas do Tribunal de Justiça do Pará revelam que Layla está envolvida em diversos processos, incluindo ações penais relacionadas a tráfico de drogas, homicídio qualificado e pedidos de habeas corpus. Em um dos casos, ela atuou como advogada de defesa em um processo de homicídio qualificado, participando de audiências e apresentando pedidos de revogação de prisão.
O promotor Carlos Gaya afirmou que Layla atuou em favor de líderes do PCC no Pará e que sua coação se intensificou devido ao relacionamento amoroso com um deles. Em outro caso, ela representou dois presos em um auto de prisão em flagrante por tráfico de drogas, solicitando liberdade provisória, que foi concedida pelo juiz.
Histórico de ações administrativas
No Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Layla é autora de pelo menos três ações administrativas. Em 2017, ela ajuizou uma ação para cobrar auxílio-alimentação como policial militar, que foi julgada improcedente em 2021. Em 2019, buscou indenização por acidente de serviço, mas o pedido foi negado em 2022.
Além disso, Layla foi alvo de um Inquérito Policial Militar, que foi arquivado pela Justiça Militar em 2021, sem que houvesse denúncia formal contra ela.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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