Derrite tem texto aprovado, mas é visto como derrota do Planalto

Deputados de esquerda desconsideram orientação do governo e garantem pelo menos 23 votos a favor.

19/11/2025 07:00

3 min

Derrite tem texto aprovado, mas é visto como derrota do Planalto
(Imagem de reprodução da internet).

Derrota do Governo na Câmara com Aprovação do Projeto Antifacção

As lideranças de partidos de centro na Câmara dos Deputados consideraram uma derrota para o governo a aprovação do parecer de Guilherme Derrite sobre o projeto antifacção. As orientações do governo e do PT foram contrárias ao projeto, em protesto ao parecer do secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo. A proposta foi aprovada com 370 votos a favor e 110 contra.

A resistência do governo ao texto de Derrite foi vista como um erro pelos líderes, que interpretaram a postura como uma disposição do Planalto em confrontar o Centrão em questões que não concorda. Aliados de Hugo Motta consideram essa atitude uma “birra”, que pode resultar em um distanciamento entre o presidente da Câmara e o presidente Lula.

O relator fez diversas modificações a pedido do governo, levando à discussão final a sexta versão da proposta. Entre as alterações, Derrite garantiu que a apreensão de bens e ativos de suspeitos em investigação ocorra de forma imediata, mediante autorização judicial. Essa medida é considerada crucial para diminuir o poder financeiro das facções.

Modificações e Reações ao Projeto

O relator também redirecionou os recursos das operações para o Fundo Nacional de Segurança Pública, ao qual a Polícia Federal tem acesso. O governo havia reclamado que a versão anterior previa apenas o direcionamento de verbas para polícias estaduais. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que, apesar das modificações, o texto ainda apresenta problemas.

Um total de 23 deputados do PDT e do PSB votaram a favor do relatório de Guilherme Derrite sobre o projeto antifacção. Apesar da orientação contrária das lideranças do governo e do PT, parlamentares da base consideraram o texto positivo e ponderaram que a opinião pública poderia cobrar deles uma posição contrária a um projeto que visa aumentar a punição de criminosos.

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No PDT, 16 deputados votaram a favor, incluindo o líder Mario Heringer, André Figueiredo e Mauro Benevides. No PSB, sete deputados, como Tabata Amaral, Jonas Donizette e Duarte Jr., também apoiaram a proposta.

Principais Pontos do Projeto Antifacção

  • Modifica a Lei de Crimes Hediondos.
  • Cria o ‘domínio social estruturado’ – controle territorial ou econômico de comunidades – com penas de 20 a 40 anos de prisão.
  • Promover, fundar ou apoiar organização ultraviolenta – penas de 12 a 20 anos de prisão.
  • Aumento de penas para integrantes de facções que cometerem crimes previstos no Código Penal:
    • Homicídio – 20 a 40 anos de prisão.
    • Lesão corporal – 20 a 40 anos de prisão.
    • Sequestro – 12 a 20 anos de prisão.
    • Tráfico de drogas – 10 a 30 anos de prisão.
    • Roubo – 20 a 40 anos de prisão.
    • Furto – 4 a 10 anos de prisão.
    • Ameaça – 1 a 3 anos de prisão.
  • Visitas ou encontros virtuais de presos poderão ser monitorados.
  • A progressão de pena ocorrerá apenas com 70% da pena cumprida.
  • Punição de organizações criminosas envolvidas em garimpo ilegal.

Conclusão sobre o Projeto Antifacção

A aprovação do projeto antifacção representa um marco significativo na legislação brasileira, refletindo a postura do governo e a dinâmica de poder na Câmara dos Deputados. As mudanças propostas visam endurecer as penas para crimes relacionados a facções e fortalecer a atuação das forças de segurança. A reação das lideranças políticas e a divisão de votos indicam um cenário complexo e desafiador para o governo e seus aliados.

Fonte por: Jovem Pan

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