Deuses de todas as épocas abençoam armas em seu favor

A religião se sustenta por si mesma, não sendo abalada pelos fatos. Este texto não é um manifesto materialista ou uma ironia. O chamado à pátria ou aos deuses t…

11/01/2026 2:20

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(Imagem de reprodução da internet).

A Influência Divina nas Guerras ao Longo da História

Os cruzados proclamavam “Deus o quer” durante suas campanhas, acreditando que lutavam ao lado do Deus correto. Essa crença levou à conquista de Jerusalém, marcada por um intenso derramamento de sangue. Contudo, no século seguinte, a cidade seria novamente tomada por guerreiros que seguiam outra divindade.

A Participação dos Deuses nas Guerras Antigas

Desde a Ilíada, as narrativas históricas mostram que os deuses influenciam as batalhas, favorecendo diferentes lados. A queda de Roma em 410 d.C. foi atribuída à sua rejeição das divindades corretas, e Agostinho teve que responder a essa crítica. A cidade enfrentou novos saques ao longo dos séculos, incluindo um em 1527, quando as tropas papais e as de Carlos V, ambas devotas ao mesmo Deus, se enfrentaram.

Constantinopla, por sua vez, foi protegida até 1453, quando a tecnologia militar superou a proteção divina. Naquele dia fatídico, a população bizantina, temerosa, esperava um milagre que nunca ocorreu, resultando na ascensão de Istambul sob um novo Deus.

A Bíblia e a Realidade Histórica

Na Bíblia, o Deus dos Exércitos concede vitórias a Josué e derruba muralhas, mas a história revela que reis como Salomão não conseguiram resistir às potências vizinhas. A Arca da Aliança, que simbolizava poder, foi capturada e os tesouros de Jerusalém se tornaram despojos de guerra. A diferença entre a narrativa religiosa e a realidade histórica é marcante.

A Religião e a Mobilização Popular

Os deuses sempre abençoaram as armas de seus seguidores, mas a vitória muitas vezes dependeu de estratégias e números. Este texto não é uma crítica às religiões, mas uma reflexão sobre seu poder de mobilização. Durante guerras, ícones sagrados foram utilizados para inspirar e unir os soldados, como na Rússia czarista e na propaganda stalinista.

A história da Índia ilustra como diferentes religiões foram invocadas em batalhas, desde guerreiros islâmicos até cristãos ingleses. A vitória não se limita à fé, mas à estratégia e ao número de tropas. A religião, portanto, não é derrotada pelos fatos, e a queda de Jerusalém não extinguiu o Islamismo, assim como a recuperação da cidade não diminuiu o Cristianismo.

Reflexões sobre a Intervenção Divina

Quando um povo eleito é derrotado, a explicação religiosa aponta para um castigo divino. A crença de que a fé dos homens influencia a proteção divina é recorrente. A história mostra que, mesmo em derrotas, a fé persiste, e a religião se adapta às circunstâncias. A relação entre fé e poder é complexa, como evidenciado pela frase atribuída a Stálin sobre a força militar.

A história avança sem a intervenção direta dos deuses. Cada divindade, ao longo do tempo, viu seu poder contestado. O dilema surge quando ambos os lados de um conflito invocam o mesmo Deus, como nas guerras da Idade Média ou no conflito Irã-Iraque. A questão permanece: de que lado está o divino quando seus seguidores se enfrentam?

Conclusão: A Intersecção entre Fé e Esforço Humano

A história nos ensina que a intervenção divina não é linear e que o Todo-Poderoso não se limita aos interesses de governantes. A famosa máxima beneditina ressalta a importância do trabalho árduo, além da oração. A esperança deve ser acompanhada de esforço, pois a vitória requer dedicação. Que a força divina acompanhe suas conquistas neste novo ano.

Fonte por: Estadao

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