Dispara disparidade entre ricos e pobres no acesso à creche, aponta pesquisa

A organização “Todos Pela Educação” aponta que o Brasil registrou crescimento nas matrículas entre 2016 e 2024, porém ainda permanece aquém da meta de 5…

11/08/2025 9:57

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Dispara disparidade entre ricos e pobres no acesso à creche, aponta pesquisa
(Imagem de reprodução da internet).

A organização independente Todos Pela Educação lançou um estudo nesta segunda-feira (11.ago.2025) que demonstra o crescimento da desigualdade no acesso à Educação Infantil entre famílias de diferentes níveis de renda no Brasil.

O relatório demonstrou que 2,3 milhões de crianças de até 3 anos não frequentam creches devido à escassez de vagas ou à inexistência de unidades próximas às suas residências. A desigualdade no acesso ao atendimento aumentou de 22 para 29,4 pontos percentuais entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos, no período de 2016 a 2024. A íntegra do estudo (PDF – 3,5 MB) está disponível.

Formulário de cadastro

O estudo, utilizando informações da PNAD Contínua e do Censo Escolar, aponta que 41,2% das crianças brasileiras com até 3 anos estavam matriculadas em creches em 2024, um valor superior aos 31,8% registrados em 2016. Contudo, essa porcentagem permanece aquém da meta de 50% para 2024 definida pelo PNE (Plano Nacional de Educação).

A pesquisa indica que, entre 2016 e 2024, houve um aumento no número de matrículas na educação infantil, porém as desigualdades se acentuaram. Em famílias de baixa renda, apenas 30,6% das crianças têm acesso à creche, ao passo que em famílias mais abastadas esse índice chega a 60%.

A situação é particularmente crítica para crianças até 1 ano, dos quais apenas 18,6% são atendidos em creches. Em 2024, 24,8% deles não frequentavam o serviço por algum tipo de barreira de acesso, como falta de vagas ou distância das unidades.

Na pré-escola, fase obrigatória do Ensino Básico para crianças de 4 a 5 anos, o atendimento atingiu 94,6%. Contudo, mais de 329 mil crianças nessa faixa etária estavam fora das escolas em 2024.

Desigualdades regionais.

São Paulo teve a maior taxa de atendimento em creches no Brasil em 2024, com 56,8% das crianças atendidas. O Amapá apresentou o menor índice, com apenas 9,7%.

Na pré-escola, o Piauí foi o único Estado a atingir a universalização do atendimento, enquanto o Amapá teve 69,8% das crianças de 4 e 5 anos atendidas.

As regiões Norte e Nordeste exibem os índices mais preocupantes tanto para a creche quanto para a pré-escola, conforme o levantamento.

Apesar dos progressos a serem considerados, o crescimento no acesso à Educação Infantil permanece aquém do desejável, afirmou Manoela Miranda, gerente de Políticas Educacionais do Todos pela Educação.

Sem a implementação de políticas estruturantes para a expansão com qualidade e equidade, o Brasil continuará privado de uma parcela significativa de suas crianças do direito à Educação Infantil e, portanto, ao pleno desenvolvimento em seus primeiros anos de vida.

Fonte por: Poder 360

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