Emissoras de rádio públicas americanas fortalecem presença digital
Classificação aponta 25 pontos de interesse locais com maior alcance na internet durante o período de paralisação federal. Consulte o Poder360.

É possível perdoar os responsáveis por estações de rádio pública se o tráfego online não for a prioridade no momento. Muitos estão excessivamente envolvidos na luta pela sua sobrevivência.
O decreto assinado por Donald Trump (Partido Republicano) em maio para reduzir o financiamento à mídia pública foi de questionável legalidade. Ele já havia proposto a extinção da Corporation for Public Broadcasting em orçamentos anteriores, mas o Congresso sempre a preservava durante a votação.
No entanto, este ano foi distinto. Trump solicitou que o Congresso removesse todo o financiamento, e republicanos aliados cumpriram o pedido. US$ 1 bilhão foi extinto por uma margem de três votos. Em 8 de agosto, a Corporation for Public Broadcasting anunciou que encerrará suas atividades no próximo mês, após quase 60 anos.
Nesse cenário, pode parecer incomum divulgar nosso 1º ranking de sites de mídia pública locais. Todas essas emissoras têm outras prioridades do que monitorar o Chartbeat, empresa de tecnologia. Contudo, aqui está: os 25 principais sites de rádio/TV pública locais, com base no número estimado de acessos obtidos em junho. (Recentemente, publicamos listas semelhantes para jornais locais e veículos de notícias sem fins lucrativos.)
Não se concede lógica consistente ao Poder Executivo. Contudo, uma crítica recorrente ao longo dos anos é que emissoras públicas de rádio e televisão deveriam competir no mercado de mídia comercial, como qualquer outro meio de comunicação. Se houver procura pelo que oferecem, argumentam, elas conseguiriam se manter sozinhas.
Essas organizações da lista se destacam pela sua preparação para o desafio. Desenvolveram negócios de sindicalização, estúdios de produção, programação nacional, parcerias universitárias, colaborações multimídia e diversas outras iniciativas para consolidar a instituição.
Para elas, o corte federal será doloroso, mas não fatal. Estimativas indicam que o financiamento federal corresponde a 3% do orçamento anual da WBUR (Boston), 5% da KUOW (Seattle), 6% da WBEZ (Chicago) e 8% da KQED (São Francisco). As maiores emissoras, muitos presentes na lista, estão mais preparadas para resistir – parte dessa preparação inclui ter uma forte presença online capaz de competir, à sua maneira, com jornais e TVs locais.
As estações que não figuram no ranking enfrentam maior risco, principalmente aquelas que não possuem a sorte de estar em grandes áreas metropolitanas, com grande população e capital público. (Como líder do ranking, a Minnesota Public Radio). Conforme o site Adopt a Station, o financiamento federal representa 23% do orçamento da KEDM (Monroe, Louisiana), 29% da KMOS (Warrensburg, Missouri), 40% da WFIT (Melbourne, Flórida), 57% da KGLP (Gallup, Novo México), 80% da KGVA (estações indígena em Montana) e 91% da KNSA (Unalakleet, Alasca). (Esses percentuais são baseados em dados de 2023 e não devem ser considerados como valores absolutos).
Já ressaltado em outros rankings, não se trata de uma competição totalmente justa. Nem todos os mercados são iguais. Uma estação no Sul da Califórnia terá mais público potencial do que uma no Sul de Dakota do Norte. Todas as listadas estão ligadas a rádios públicas, mas algumas também se conectam a TVs públicas – algumas mais nacionais que locais. E, embora todas sejam filiadas à NPR (National Public Radio), algumas têm boa parte (ou toda) sua audiência vinda de programação musical, e não jornalística.
Ainda assim, há valor em comparar os números lado a lado. Observe o caso da Vermont Public – sediada em Colchester, cidade com 17.524 habitantes – alcançando a 23ª posição. (Fãs de rankings podem lembrar que o VT Digger, veículo de notícias sem fins lucrativos do Estado, ficou na 18ª posição na lista da semana passada.) Com isso, seguem os resultados de junho, acompanhados de alguns destaques.
Joshua Benton é o fundador do Nieman Lab.
Revisão por Victor Boscato. Consulte o original em inglês.
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Fonte por: Poder 360