Estresse na adolescência provoca mudanças cerebrais duradouras

Pesquisa da USP indica que estresse na adolescência provoca desequilíbrio duradouro nos neurônios. Confira no Poder360.

07/03/2026 9:20

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A investigação demonstrou que o córtex pré-frontal adolescente a...

Estudo Revela Impacto do Estresse na Adolescência

Uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que o estresse durante a adolescência causa alterações mais significativas e duradouras no cérebro em comparação com o estresse na vida adulta. O estudo identificou mecanismos neurológicos que podem explicar essa diferença, contribuindo para a compreensão de transtornos psiquiátricos como depressão e esquizofrenia. Os resultados foram publicados na revista Cerebral Cortex.

Os cientistas descobriram que o estresse na adolescência afeta o equilíbrio dos neurônios, prejudicando a maturação das redes neurais e aumentando a vulnerabilidade a disfunções cerebrais que podem persistir na vida adulta.

Alterações Cerebrais e Vulnerabilidade

A pesquisa, apoiada pela Fapesp, revelou que o estresse na adolescência provoca mudanças permanentes nos circuitos do córtex pré-frontal, uma área do cérebro crucial para o controle emocional e funções cognitivas. Os pesquisadores observaram que traumas nessa fase da vida desregulam a comunicação entre sinais de excitação e inibição, comprometendo a estabilidade funcional do cérebro.

Em contraste, o cérebro de roedores adultos mostrou maior resiliência, com mecanismos de recuperação que tornaram os efeitos do estresse mais temporários.

Metodologia do Estudo

Na pesquisa, ratos machos foram submetidos a um protocolo de estresse por 10 dias, envolvendo choques nas patas e restrição de movimento. Os experimentos foram realizados em dois grupos: um de adolescentes (31 a 40 dias de vida) e outro de adultos (65 a 74 dias).

Os cientistas analisaram as alterações na atividade de neurônios excitatórios e inibitórios no córtex pré-frontal medial. Nos ratos adolescentes, o estresse resultou em um aumento persistente na atividade dos neurônios excitatórios e alterou o funcionamento dos neurônios inibitórios, levando a um desequilíbrio prolongado.

Resultados e Implicações

Nos adultos, o estresse causou apenas uma redução temporária na atividade dos neurônios inibitórios, permitindo que o sistema se reequilibrasse após o estresse. O estudo também revelou que o mau funcionamento dos interneurônios afetou os ritmos elétricos cerebrais, com consequências duradouras para a função cognitiva nos adolescentes.

Os pesquisadores destacam que o momento da vida em que o estresse ocorre é crucial para determinar o tipo e a duração das alterações nos circuitos do córtex pré-frontal, o que pode ter implicações significativas para a saúde mental.

Conclusão e Recomendações

O estudo sugere que a exposição ao estresse na adolescência pode aumentar o risco de desenvolvimento de esquizofrenia, enquanto o estresse na vida adulta está mais associado à depressão. Os resultados reforçam a necessidade de estratégias preventivas voltadas para jovens, especialmente aqueles em situações de vulnerabilidade emocional, para mitigar os efeitos do estresse e promover a saúde mental.

Fonte por: Poder 360

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