Estudo revela que negros enfrentam 49% mais risco de morte por homicídio no Brasil

Estudo da USP revela que cor da pele é fator crucial na violência letal, com dados de 2022. Confira no Poder360.

2 min de leitura
O perfil predominante das vítimas de homicídio no Brasil é composto por homens negros | Tânia Rêgo/Agência Brasil

O perfil predominante das vítimas de homicídio no Brasil é composto por homens negros | Tânia Rêgo/Agência Brasil

Estudo da USP Revela Desigualdade Racial em Homicídios no Brasil

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) revelou que indivíduos negros têm 49% mais chances de serem vítimas de homicídio em comparação com brancos no Brasil. Publicado na revista “Ciência & Saúde Coletiva”, o estudo foi divulgado na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, e utilizou a escala de propensão como metodologia para analisar a influência da variável racial nos índices de homicídio.

Metodologia e Resultados da Pesquisa

O médico Rildo Pinto, autor do estudo, aplicou métodos estatísticos para comparar pessoas com a mesma escolaridade e endereço. Os resultados indicaram que, mesmo controlando essas variáveis, a cor da pele se destacou como o principal fator de risco para mortes violentas.

A pesquisa utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Censo 2022 do IBGE, que forneceu informações demográficas por sexo, idade, cor e municípios. A análise revelou que pessoas negras têm 2,3 vezes mais probabilidade de serem assassinadas do que brancas, com o perfil predominante das vítimas sendo homens jovens, negros, solteiros e com baixa escolaridade.

Distribuição Geográfica dos Homicídios

A pesquisa também destacou que a região Nordeste do Brasil apresenta os maiores índices de homicídios, enquanto as regiões Sul e Sudeste geralmente têm taxas mais baixas de mortes violentas. Em áreas de alta violência, 90% das vítimas são negras ou pardas, e mesmo em regiões com menor violência, a mortalidade entre negros é superior.

Possíveis Lacunas nos Dados

Os pesquisadores notaram uma área entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte com falta de dados estatísticos claros, apesar de estar cercada por municípios com altos índices de violência. Essa lacuna pode sugerir a existência de subnotificação de óbitos, um fenômeno conhecido como homicídio oculto, que não foi considerado no estudo.

Conclusão sobre a Desigualdade Racial

O estudo da USP evidencia a grave desigualdade racial no Brasil, revelando que a cor da pele é um fator determinante para o risco de homicídio. Esses dados ressaltam a necessidade urgente de políticas públicas que abordem essa questão e promovam a equidade racial no país.

Fonte por: Poder 360

Sair da versão mobile