EUA cancelam vistos de brasileiros devido ao programa Mais Médicos

O Departamento de Estado afirma que o programa contornou as sanções dos Estados Unidos e fortaleceu o governo cubano.

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(Imagem de reprodução da internet).

Os Estados Unidos revogaram os vistos de funcionários e ex-funcionários do governo brasileiro, ex-servidores da Organização Pan-Americana da Saúde e seus familiares. A medida foi motivada pelo programa Mais Médicos. A íntegra do comunicado está disponível (PDF – 247 kB).

De acordo com o departamento, esses funcionários foram responsáveis ou envolvidos na cumplicidade do esquema de exportação de mão de obra do regime cubano, que explora trabalhadores médicos cubanos por meio de trabalho forçado. O texto indica que essa “esquema” visa enriquecer o “corrupto regime cubano” e privar a população de Cuba de cuidados médicos essenciais.

O texto menciona Mozart Julio Tabosa Sales, Secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-Assessor de Relações Internacionais do Ministério da Saúde, ex-diretor de Relações Externas da Opas e atual coordenador-geral da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) para a COP30.

A declaração afirma que, no âmbito do programa Mais Médicos do Brasil, essas autoridades utilizaram a Opas como intermediária com o governo cubano para implementar o programa, contornando os requisitos constitucionais brasileiros, as sanções dos Estados Unidos a Cuba e, de forma deliberada, pagando ao regime cubano o que seria devido aos profissionais de saúde cubanos.

De acordo com o comunicado, “médicos cubanos que participaram do programa relataram ter sido explorados pelo regime cubano como parte dele”.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou em seu perfil no X (antigo Twitter) que a Operação Mais Médicos representou um golpe diplomático invencível das missões médicas estrangeiras. Ele também afirmou que as pessoas sancionadas foram cúmplices do esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano.

Rubio mencionou outra publicação, de 25 de fevereiro de 2025, na qual se afirmava que os Estados Unidos estavam ampliando sua política de restrições de vistos para Cuba, com ações também direcionadas a “auxiliares de terceiros países” e “responsáveis pelo programa de exploração de mão de obra cubana”.

Mais Médicos e Padilha

O texto não menciona o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Foi durante sua primeira gestão do órgão (2011-2014), durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que o programa Mais Médicos foi criado.

A meta era atender à falta de médicos nos municípios do interior e nas áreas periféricas das grandes cidades. Entre 2013 e 2017, o programa contou com 18.240 médicos registrados, dos quais 8.332 eram cubanos.

Não se sabe se outros servidores públicos ou ex-servidores do governo brasileiro envolvidos na formulação do programa poderão ser punidos – entre eles, o próprio Padilha.

Outros países

O Departamento de Estado norte-americano divulgou também um comunicado (a íntegra) anunciando as mesmas restrições a funcionários de governos “africanos, cubanos e granadinos” e familiares por meio de programas que utilizam a mão de obra de médicos de Cuba.

Solicitamos que os governos paguem diretamente aos médicos por seus serviços, e não aos detentores de poder do regime vigente. O comunicado não detalha quais países do continente africano são abrangidos pela medida.

Marco Rubio é um político americano

O secretário de Estado dos EUA nasceu em Miami, na Flórida, em 28 de maio de 1971. Tem 54 anos. É filho de Mario Rubio Reina e Oriales Rubio, ambos cubanos que haviam emigrado de Cuba para os Estados Unidos em 1956, antes da ascensão de Fidel Castro (1926-2016) ao poder naquele país, em janeiro de 1959. Os pais de Rubio obtiveram a naturalização norte-americana em 1975.

Devido à sua ascendência cubana, assuntos relacionados à ilha caribenha frequentemente ganham destaque nos argumentos e atitudes de Rubio. Mesmo antes de assumir o cargo, ele consistentemente expressou críticas ao regime comunista.

Filial do Partido Republicano, Rubio foi deputado estadual da Flórida de 2000 a 2008. Presidiu a Câmara de Representantes da Flórida de 2006 a 2008, sendo o primeiro cubano-americano a liderar a Casa. Foi eleito senador em 2010, cargo que ocupou até ser convidado pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano) para ser secretário de Estado.

Durante o governo de Barack Obama (Partido Democrata), os Estados Unidos promoveram um processo de aproximação com Cuba. Rubio se opôs a essa iniciativa e defendeu a manutenção do bloqueio econômico ao país da América Central.

Em 2015, ele era pré-candidato à presidência pelo Partido Republicano nas eleições de 2016, porém, não obteve o apoio necessário frente ao avanço de Donald Trump e Ted Cruz.

Rubio, como senador, desempenhou um papel ativo em assuntos de política externa. Apoiou políticas rigorosas em relação a países da América Latina, incluindo Cuba, Venezuela e Nicarágua, e buscou impor sanções e um maior isolamento diplomático a esses governos. Além disso, atuou ativamente em questões de segurança nacional, cibersegurança e na definição de estratégias para limitar a influência da China.

Donald Trump foi anunciado para liderar o Departamento de Estado em 13 de novembro de 2024, logo após as eleições presidenciais. A confirmação da nomeação ocorreu no Senado em 20 de janeiro, data da posse do republicano.

Fonte por: Poder 360

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