Impactos dos Ataques dos EUA à Venezuela
O professor Lucas de Souza Martins, da Temple University, analisou as consequências dos recentes ataques dos Estados Unidos à Venezuela, enfatizando os possíveis efeitos na economia americana e na geopolítica global. Segundo ele, as reações nos EUA variam, com um forte apoio às ações contra o governo venezuelano por parte dos republicanos, especialmente os ligados ao movimento MAGA.
Entre os democratas, embora haja críticas sobre a condução da operação, existe concordância com a narrativa oficial que relaciona o governo venezuelano ao tráfico de drogas. A Casa Branca utiliza essa questão como uma das principais justificativas para a intervenção, recebendo apoio de ambos os partidos políticos.
Interesses Econômicos e Eleitorais dos EUA
Martins destaca o interesse dos Estados Unidos nas reservas petrolíferas da Venezuela, apontando que a redução dos preços do petróleo pode impactar diretamente a inflação e a produção de bens essenciais. O acesso a esses recursos pode ajudar a administração americana a controlar os preços e aliviar a pressão inflacionária, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando.
A motivação econômica por trás dessa intervenção pode ter consequências significativas na política interna dos EUA, uma vez que a inflação é uma das principais preocupações do eleitorado. O acesso a recursos petrolíferos poderia ser uma estratégia para melhorar a situação econômica e, consequentemente, a imagem do governo.
Mensagem Geopolítica Global
Na análise de Martins, a ação dos EUA na Venezuela reflete uma visão de mundo que prioriza zonas de influência. Ele menciona que, na perspectiva de Donald Trump, a América Latina é considerada parte da esfera de influência dos Estados Unidos, uma atualização da Doutrina Monroe. Essa postura pode estabelecer precedentes para outras potências, como Rússia e China, agindo em suas áreas de interesse.
O professor também observa o enfraquecimento de organismos multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU, que não teve um papel ativo nas decisões sobre a Venezuela, ao contrário do que ocorreu na invasão do Iraque em 2003. Ele conclui que nenhum organismo multilateral possui a capacidade de conter as ações dos Estados Unidos, Rússia ou China em suas respectivas esferas de influência.
Fonte por: CNN Brasil
