Governo Lula implementa melhorias no programa ‘Minha Casa, Minha Vida’

Mudança em Brasília visa alinhar valores ao novo salário mínimo de R$ 1.621, reajustado neste ano.

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Atualizações no Programa Minha Casa, Minha Vida

O programa Minha Casa, Minha Vida, uma das principais iniciativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passará por novas atualizações em um ano eleitoral. Essas mudanças visam impulsionar o programa, que já representa mais da metade das vendas de imóveis residenciais novos no Brasil.

Analistas acreditam que as novas regras aumentarão o número de famílias com capacidade de adquirir a casa própria, permitindo que as construtoras ampliem seus lançamentos e acelerem as vendas, além de potencialmente elevar os preços das moradias e maximizar os lucros.

Essas alterações foram propostas menos de um ano após a última atualização e surgem em um momento em que as principais construtoras do setor têm registrado lucros crescentes, com margens superiores à média histórica.

Detalhes das Mudanças

A atualização das regras foi apresentada pelo Ministério das Cidades no início de março ao Grupo de Apoio Permanente (GAP), que assessora o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O FGTS utiliza recursos dos trabalhadores para financiar a compra de imóveis com juros abaixo do mercado. O Conselho Curador do FGTS se reunirá para aprovar a proposta do governo.

As mudanças visam ajustar a faixa de renda do programa ao novo valor do salário mínimo, que foi reajustado para R$ 1.621. A elevação da faixa 1 do programa para R$ 3.200 garantirá que as famílias permaneçam nessa faixa, evitando que sejam transferidas para a faixa 2, que possui juros mais altos. Isso exigirá também o reajuste das demais faixas.

Perspectivas do Mercado Imobiliário

Os analistas notaram uma mudança na postura do governo, que agora realiza ajustes mais frequentes nas regras do programa. Essa nova abordagem visa evitar que o programa se torne defasado, como ocorreu no passado, quando as construtoras enfrentavam margens de lucro deterioradas e deixavam de iniciar novos projetos.

Embora não houvesse necessidade imediata de ajustes para garantir a rentabilidade das grandes construtoras, há um desejo explícito do governo de expandir o programa, aumentando a meta de contratações de 2 milhões para 3 milhões. As contratações já foram satisfatórias em 2024 e 2025, e para atingir a nova meta, será necessário ampliar o programa e acelerar os processos.

A Cury, uma das maiores empresas do setor, está preparada para aumentar lançamentos e vendas em 2026, considerando as condições favoráveis de contratação. O copresidente da Cury, Leonardo Mesquita, destacou que os novos ajustes ajudarão a aumentar o volume de projetos e a elevar preços em áreas com maior demanda.

Impacto das Atualizações no Setor

A analista de construção do Santander, Fanny Oreng, espera que as novas atualizações acelerem os negócios, melhorando o poder de compra e, consequentemente, as vendas e a rentabilidade. Ela defendeu a importância de ajustes periódicos para evitar a defasagem nas condições de contratação.

As construtoras do programa não contam com a correção monetária das parcelas durante a construção, o que as obriga a ter uma margem no orçamento para lidar com aumentos de custos, como os que ocorreram durante a pandemia.

A coordenadora de estudos da construção da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ana Maria Castelo, alertou que será necessário monitorar se o aumento nas faixas de renda e nos tetos de preços não resultará em uma diminuição nas unidades contratadas, já que um aumento no preço médio dos imóveis pode reduzir o número de vendas.

Números do Programa

Até o final do ano passado, as contratações no Minha Casa, Minha Vida totalizaram 2,1 milhões de unidades, com 578,4 mil em 2023, 707,6 mil em 2024 e 813,9 mil em 2025. Para alcançar a meta de 3 milhões de unidades, será necessário aumentar as contratações para 900 mil neste ano.

O orçamento atual é de R$ 178 bilhões, distribuídos entre o Orçamento Geral da União, o fundo social do pré-sal e o FGTS. Esse orçamento ainda não considera os ajustes que serão deliberados pelo conselho curador do FGTS.

Fonte por: Jovem Pan

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