Guerra no Irã pode levar ao surgimento do “petroyuan”, afirma banco alemão

Analista do Deutsche Bank alerta que conflito no Oriente Médio pode encerrar o acordo que consolidou o dólar como moeda global.

2 min de leitura
Na imagem, cédulas de yuan

Na imagem, cédulas de yuan

Impactos da Guerra no Oriente Médio na Economia Global

A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã terá repercussões duradouras, afetando tanto o setor energético quanto o equilíbrio geopolítico. Embora as previsões sobre o futuro sejam incertas, uma análise do Deutsche Bank examina as implicações para o “petrodólar” e a ascensão do “petroyuan“.

O Que é o Petrodólar?

O termo “petrodólar” refere-se ao acordo estabelecido em 1974, quando a Arábia Saudita, a maior exportadora de petróleo do mundo, concordou em precificar seu petróleo em dólares e investir seus excedentes na moeda americana. Em troca, os EUA garantiram segurança para o reino. Esse acordo, ao tornar o dólar a moeda predominante nas transações de petróleo, impulsionou a dolarização de diversas cadeias de valor global.

Consequências da Guerra para o Petrodólar

A atual guerra no Oriente Médio pode ser um fator decisivo para o enfraquecimento do petrodólar, uma vez que questiona a capacidade dos EUA de proteger seus aliados na região. Já houve ataques a infraestruturas energéticas na Arábia Saudita e no Qatar, e a dificuldade dos EUA em controlar o estreito de Ormuz afeta toda a economia do Oriente Médio.

Além disso, a maior parte do petróleo que transita pelo estreito de Ormuz está agora sendo direcionada para a Ásia, especialmente para a China, que consome 40% desse petróleo. Isso reflete uma mudança significativa nas dinâmicas comerciais globais.

A Ascensão do Petroyuan

A China busca reduzir sua dependência do dólar, utilizando sua própria moeda nas transações internacionais. No ano passado, o país já implementou um sistema independente do Swift para realizar transações em yuan digital com os Emirados Árabes Unidos. A Arábia Saudita também está se integrando a esse sistema de pagamentos chinês.

Essa movimentação pode sinalizar a ascensão do “petroyuan”, que representa a crescente utilização da moeda chinesa em operações de petróleo, potencialmente desafiando a hegemonia do dólar no comércio global. A China se posiciona como um parceiro comercial mais relevante para o Oriente Médio, oferecendo estabilidade em um cenário onde os EUA enfrentam dificuldades.

Conclusão

O relatório do Deutsche Bank sugere que, se os países do Golfo Pérsico se aproximarem da Ásia em suas relações comerciais e começarem a precificar menos petróleo em dólares, isso poderá ter impactos significativos no uso do dólar no comércio e na poupança globais. A situação atual pode, portanto, marcar o início de uma nova era nas relações econômicas internacionais.

Fonte por: Poder 360

Sair da versão mobile