Guerra no Oriente Médio afeta o comércio de fertilizantes

Preços dos insumos agrícolas disparam com intensificação do conflito entre Irã, EUA e Israel. Confira no Poder360.

11/03/2026 6:40

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lavoura

Conflito no Oriente Médio Eleva Preços de Fertilizantes e Ameaça Crise Alimentar

O conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, que já dura 11 dias, está causando interrupções no estreito de Ormuz, impactando significativamente os preços globais de fertilizantes e aumentando o risco de uma nova crise alimentar. A situação se agrava com a alta nos preços dos insumos agrícolas, que já refletem a intensificação do conflito.

Os contratos futuros de ureia na Chicago Board of Trade, referência do mercado, alcançaram US$ 584,5 por tonelada em 9 de março, representando um aumento de 25% em relação ao final de fevereiro. Na China, o preço do enxofre também subiu, atingindo 4.550 yuans (US$ 659) por tonelada, um aumento de 17% no mesmo período.

Impacto Global e Escassez de Fertilizantes

O estreito de Ormuz é uma rota vital, responsável por 1/3 do comércio marítimo mundial de fertilizantes. A região do Golfo é responsável por uma parte significativa das exportações globais de ureia e enxofre. Dados indicam que um bloqueio prolongado pode resultar em um déficit anual de 50 a 60 milhões de toneladas no abastecimento global de fertilizantes.

A interrupção ocorre em um momento crítico para o plantio de primavera no Hemisfério Norte, sem estoques estratégicos suficientes para mitigar os efeitos. Especialistas alertam que a escassez pode reduzir a produtividade das culturas em até 5% e potencialmente desencadear uma crise alimentar global, mais severa do que a observada após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Possíveis Etapas da Crise Alimentar

A crise pode se desenvolver em três fases. A primeira, até abril de 2026, envolve um choque de preços que pode levar os agricultores a reduzir o uso de fertilizantes. A segunda fase, entre maio e julho, pode impactar as decisões de plantio e as colheitas de outono. Se a situação se agravar, a terceira fase, a partir de agosto, pode comprometer a fertilidade do solo e aumentar o risco de uma crise alimentar prolongada.

Consequências para Países Importadores

O impacto da crise não será uniforme. Países como Índia e Brasil, grandes importadores de fertilizantes, enfrentam riscos imediatos. A Índia, maior consumidora de ureia do mundo, depende fortemente das importações do Oriente Médio, enquanto o Brasil, principal exportador de soja, também é vulnerável à alta dos preços dos insumos agrícolas.

Vulnerabilidades e Respostas Regionais

Regiões como a África Subsaariana, que já apresentam baixos índices de uso de fertilizantes, podem ver a situação se agravar, com dezenas de milhões de pessoas em risco de fome. Os países do Golfo, com baixa autossuficiência alimentar, também enfrentam escassez, levando o Irã a proibir as exportações de alimentos e o Kuwait a adotar medidas semelhantes para proteger seus mercados internos.

Fonte por: Poder 360

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