Fernando Haddad propõe diálogo sobre contas públicas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou sua disposição para dialogar com ex-ministros da Fazenda sobre as contas públicas. Em declaração feita na segunda-feira (19 de janeiro de 2026), ele acredita que um debate pode esclarecer os números do déficit primário nos últimos anos.
Durante uma entrevista ao portal UOL News, Haddad abordou a crescente dívida pública, que ultrapassou R$ 10 trilhões, representando 79% do PIB. O aumento foi de 7,3 pontos percentuais durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Déficit primário e trajetória da dívida
O déficit primário do governo alcançou R$ 82,4 bilhões entre janeiro e novembro, o maior valor para o período desde 2023. Haddad ressaltou que, ao analisar a dívida, é importante considerar o impacto dos gastos da pandemia de covid-19 durante a gestão de Jair Bolsonaro.
O ministro criticou a falta de transparência em relação aos números da dívida pública, afirmando que é necessário um debate mais honesto sobre o assunto. Ele também mencionou que despesas relevantes foram desconsideradas no Orçamento de 2023, como os gastos com precatórios e o aumento do Bolsa Família.
Taxa de juros e impacto na dívida
Haddad destacou que o principal problema da dívida é a taxa de juros real, que é a segunda maior do mundo, atrás apenas da Turquia. O Brasil gastou R$ 981,9 bilhões em juros da dívida nos últimos 12 meses até novembro.
A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, tem sido mantida para controlar a inflação. O Banco Central, sob a liderança de Gabriel Galípolo, aponta que existem fatores inflacionários que afetam os preços.
Perspectivas para o futuro
O ministro acredita que os juros elevados encarecem a dívida, enquanto o déficit primário tem mostrado uma tendência de queda. Para 2026, a meta é alcançar um superávit primário de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34 bilhões. No entanto, as projeções do mercado financeiro indicam um déficit de R$ 72,4 bilhões nas contas públicas para este ano.
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Fonte por: Poder 360
