Haddad ignora as consequências absurdas de suas declarações sobre vale-tudo

Ministro ignora que seu modelo hipotético tornaria a política monetária impraticável no Brasil, mesmo após 25 anos de metas.

22/11/2025 19:40

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(Imagem de reprodução da internet).

Conflito entre Fernando Haddad e o Banco Central

Fernando Haddad, que indicou a maioria dos diretores do Banco Central (BC), incluindo o presidente, continua a criar tensões com a instituição. Recentemente, ele expressou sua intenção de votar pela redução da taxa Selic em uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mesmo que os diretores tenham decidido mantê-la.

Em uma entrevista, Haddad sugeriu que uma hipotética redução da Selic em 3 pontos percentuais, de 15% para 12% ao ano, resultaria em um aumento da inflação de apenas 0,2 ponto percentual, passando de 3,1% para 3,3%. No entanto, essa afirmação levanta questionamentos sobre a lógica de seu argumento.

Consequências da Proposta de Haddad

A primeira consequência evidente da proposta de Haddad é que a inflação ficaria mais distante da meta, o que deveria desqualificar sua sugestão. Embora a elevação projetada da inflação seja modesta, apenas 0,2 ponto percentual, isso pode levar alguns a minimizar a importância da questão, como o próprio ministro da Fazenda.

Além disso, a recente projeção do BC indica uma inflação de 3,3% em seu horizonte relevante. Para que a inflação convergisse à meta de 3,0%, o Copom precisaria elevar a Selic em 4,5 pontos percentuais, o que é uma consequência direta do raciocínio apresentado por Haddad.

Implicações da Sensibilidade da Inflação

É importante notar que a sensibilidade da projeção da inflação em relação à taxa de juros é maior do que o que Haddad parece considerar. Segundo o modelo do BC, um corte de 3 pontos percentuais na Selic poderia elevar a inflação em cerca de 0,75 ponto percentual, quase quatro vezes mais do que o que foi sugerido pelo ministro.

Embora seja reconhecido que modelos têm suas limitações, a falta de crítica e análise por parte de Haddad pode comprometer a eficácia da política monetária no Brasil, que já opera sob um regime de metas há mais de 25 anos.

Reflexão Final

A situação atual evidencia a necessidade de um olhar mais crítico sobre as propostas e suas consequências. A análise cuidadosa das implicações econômicas é essencial para garantir a estabilidade financeira e a eficácia das políticas públicas.

Fonte por: Estadao

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