Homem que matou ex-premiê do Japão recebe pena de prisão perpétua
Tetsuya Yamagami disparou contra Shinzo Abe com arma caseira durante discurso em Nara, em 2022.
Homem condenado por assassinato de Shinzo Abe
Tetsuya Yamagami, responsável pela morte do ex-primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foi sentenciado à prisão perpétua nesta quarta-feira (21). A decisão encerra um julgamento que durou anos e que chocou o Japão, um país onde a violência armada é incomum, e que trouxe à tona a influência de uma seita religiosa.
Yamagami, que atirou em Abe com uma arma caseira durante um discurso do ex-líder em Nara, em 2022, foi preso no local do crime e indiciado no ano seguinte por homicídio e porte ilegal de arma. Os promotores solicitaram a pena máxima, descrevendo o assassinato como um “incidente extremamente grave e sem precedentes na história do pós-guerra”.
Legado de Shinzo Abe
Shinzo Abe, que renunciou ao cargo de primeiro-ministro em 2020 por motivos de saúde, ainda exercia grande influência política e é lembrado como o primeiro-ministro que mais tempo serviu no Japão. Ele ocupou o cargo em dois períodos: de 2006 a 2007 e de 2012 a 2020, durante os quais implementou mudanças significativas na política de segurança do país.
Abe buscou fortalecer as relações do Japão com os Estados Unidos e melhorar os laços com a China, ao mesmo tempo em que tentava conter a expansão chinesa na região. Seu assassinato gerou grande comoção, especialmente considerando que o Japão possui uma das menores taxas de crimes com armas de fogo do mundo, devido a suas rigorosas leis de controle.
Impacto no cenário político japonês
Desde a renúncia de Abe, o cenário político no Japão tem enfrentado instabilidade, com uma sucessão de líderes e crises dentro do Partido Liberal Democrático (PLD), que governou o país por quase 30 anos. A atual primeira-ministra, Sanae Takaichi, convocou eleições antecipadas, buscando capitalizar sua popularidade e restaurar a imagem do partido.
O assassinato de Abe também trouxe à tona as ligações entre o PLD e a Igreja da Unificação, com Yamagami alegando que sua motivação para atacar Abe estava relacionada às doações excessivas feitas por sua mãe à seita. Uma investigação revelou que a igreja violou leis japonesas ao pressionar seguidores a fazerem doações exorbitantes, resultando na ordem de dissolução da igreja, que está em processo de apelação.
A Igreja da Unificação, conhecida por seus casamentos coletivos, continua a ser um tema de controvérsia no Japão, especialmente após a revelação de que muitos parlamentares do PLD tinham vínculos com a seita. O ex-primeiro-ministro, Fumio Kishida, tomou medidas para cortar laços com a igreja, mas a desconfiança pública em relação ao PLD já havia se consolidado, refletindo nas urnas com a perda de cadeiras para partidos de oposição.
Fonte por: CNN Brasil
Autor(a):
Redação
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