Indivíduos com alta renda no Brasil são responsáveis por sete vezes mais emissões de gases do efeito estufa do que pessoas em situação de pobreza

Pesquisa da USP aponta que a alimentação é responsável por 48% da emissão de carbono no Brasil, em seguida pelo consumo de energia e o transporte.

15/08/2025 12:08

3 min

Indivíduos com alta renda no Brasil são responsáveis por sete vezes mais emissões de gases do efeito estufa do que pessoas em situação de pobreza
(Imagem de reprodução da internet).

A parcela mais rica da população brasileira, com renda mensal média superior a R$ 20 mil, emite sete vezes mais gases do efeito estufa em comparação com os 10% mais pobres, cuja renda mensal não ultrapassa R$ 200.

O estudo que evidencia essa diferença foi publicado pelo Made (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades) da USP (Universidade de São Paulo) na quarta-feira (13.ago.2025). A íntegra (PDF – 4 MB) está disponível.

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A pesquisa aponta que o setor de alimentação é a principal fonte de emissões no Brasil, respondendo por 48% da pegada de carbono da população. Isso se deve à produção e ao consumo de produtos agropecuários, além das mudanças no uso do solo, que representam cerca de 48% das emissões de gases de efeito estufa.

A marca de carbono possibilita vincular o padrão de emissões brasileiro com a distribuição de renda, os hábitos de consumo dos brasileiros e a estrutura produtiva do país, escreveram os pesquisadores Lucca Rodrigues, João Pedro de Freitas Gomes e Pedro Romero Marques.

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Após a alimentação (48%), as principais fontes de emissão no Brasil são o consumo de energia, água e a produção de lixo nas residências (28%), seguidas pelo uso de transportes (17%). O Brasil se diferencia de outros países, onde o setor energético costuma ser o principal responsável pelas emissões domésticas das famílias.

Já entre o 1% mais rico do país, a principal fonte de emissões é uma cesta de consumo com bens de luxo de alta intensidade de carbono. O transporte ocupa a segunda posição nas emissões dos mais ricos, ficando à frente da energia e da alimentação. De acordo com a publicação, isso se deve ao aumento no uso de transporte privativo e viagens aéreas.

Os pesquisadores obtiveram esses resultados ao unir dados sobre as emissões provenientes da produção e distribuição de bens e serviços com informações de consumo das famílias brasileiras, coletadas na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017 a 2019.

Contudo, conforme o estudo, o país apresenta uma tendência mundial em que grupos com maior poder aquisitivo geram mais emissões de substâncias como carbono, metano e óxido nitroso, que contribuem para o aquecimento global. A disparidade entre as classes sociais no Brasil é menor do que a média global devido às características da estrutura produtiva nacional.

O estudo da Made revela que os 10% mais ricos do Brasil geram mais Gases de Efeito Estufa do que a soma das emissões dos 35% mais pobres. Em nível global, a pesquisa da Oxfam Internacional indica que os 10% mais ricos são responsáveis por 50% das emissões de carbono, a classe média (40% da população) por 43%, e os mais pobres (50% da população mundial) por apenas 8%.

O estudo não detalha quais ações específicas seriam mais adequadas para diminuir as emissões no Brasil. A pesquisa sugere que o ponto central deve ser a mudança nos processos de produção, notadamente no setor agropecuário.

A diminuição da pegada de carbono das famílias brasileiras não depende apenas do nível de consumo, sendo fundamental uma melhoria (redução) dos coeficientes de emissões, em especial do setor agropecuário. Observa-se, portanto, um problema associado ao padrão de emissões da estrutura produtiva (oferta) que se sobrepõe ao impacto do consumo das famílias (demanda).

Para reduzir as emissões brasileiras, seria necessário aumentar a eficiência de carbono gerada na produção agropecuária, abrangendo ações como a recuperação de carbono no setor agrícola.

Fonte por: Poder 360

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