Lançamento da Cinemateca Negra em Brasília
O Cine Brasília, na capital do país, foi palco do lançamento da publicação Cinemateca Negra, realizado na quinta-feira, 26 de março de 2026. A iniciativa, promovida pelo Instituto NICHO 54, representa um avanço significativo na sistematização de dados sobre o cinema negro no Brasil.
A obra apresenta um levantamento abrangente de 1.104 filmes dirigidos por cineastas negros entre 1949 e 2022, incluindo curtas, médias e longas-metragens. Os dados indicam que 83% dessas produções foram realizadas a partir de 2010.
Importância da Publicação
Em entrevista, Fernanda Lomba, diretora executiva do NICHO 54, ressaltou que a publicação é fruto de uma vivência concreta no setor audiovisual e de um esforço coletivo. Ela compartilhou sua experiência como produtora executiva e a necessidade de criar uma rede de suporte para profissionais negros, especialmente após sua participação em festivais internacionais como Cannes.
O NICHO 54, que começou com foco em formação, mercado e curadoria, expandiu suas atividades para incluir pesquisa e incidência internacional. Lomba destacou que a produção de dados e evidências é essencial para qualificar o debate e facilitar o acesso a oportunidades no setor.
Pesquisa e Metodologia
A pesquisa que resultou na Cinemateca Negra envolveu oito pesquisadores ao longo de mais de um ano, de 2023 a 2024. O trabalho coletou informações de catálogos de festivais, mostras, cursos, arquivos digitais e publicações acadêmicas, além de contatos diretos com realizadores e seus descendentes.
Segundo Lomba, o impacto da publicação vai além do registro histórico, pois reúne pela primeira vez um panorama consistente dos filmes dirigidos por pessoas negras no Brasil. Isso transforma o campo da curadoria e abre espaço para novas pesquisas e diálogos entre diferentes gerações do cinema brasileiro.
Origem e Conclusão do Projeto
A iniciativa teve início em 2018, com uma pesquisa do coordenador Heitor Augusto, que começou a mapear curtas-metragens para festivais. Com a chegada de Lomba ao instituto em 2019, o projeto ganhou uma dimensão nacional, culminando no mapeamento atual.
A publicação conta com um prefácio da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e inclui análises sobre direção, codireção interracial, gênero e listas de profissionais identificados na pesquisa. A Cinemateca Negra promete ser uma ferramenta valiosa para a valorização e reconhecimento do cinema negro no Brasil.
Fonte por: Poder 360
