INSS Suspende Transferência de R$ 2 Bilhões ao Banco Master
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou a suspensão da transferência de cerca de R$ 2 bilhões ao Banco Master na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026. A decisão foi tomada após a detecção de indícios de irregularidades em aproximadamente 254 mil contratos de empréstimos consignados com aposentados e pensionistas.
Gilberto Waller Júnior, presidente do INSS, informou que os valores permanecerão retidos até que a regularidade das operações seja confirmada. O Banco Master já estava proibido de firmar novos contratos desde setembro de 2025, mas continuava a receber repasses de acordos anteriores.
Operação da Polícia Federal e Consequências
A decisão do INSS ocorre dois dias após a Polícia Federal iniciar a segunda fase da operação Compliance Zero, que envolve o Banco Master. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, autorizou buscas e apreensões em endereços relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao investidor Nelson Tanure.
Irregularidades Identificadas
A auditoria do INSS revelou falhas significativas nos documentos apresentados pelo Banco Master:
- Assinaturas eletrônicas: ausência do código QR necessário para validar a autenticidade das assinaturas dos segurados;
- Falta de transparência: os contratos não apresentavam de forma clara a taxa de juros e o Custo Efetivo Total (CET);
- Aumento de reclamações: houve um crescimento considerável de queixas de beneficiários na ouvidoria do INSS.
O INSS agendou uma reunião com o liquidante do banco, Eduardo Félix Bianchi, para estabelecer um prazo de regularização. Se a validade dos contratos não for comprovada, as operações serão canceladas e os valores devolvidos aos beneficiários.
Acordo com Febraban e ABBC
Simultaneamente ao bloqueio do Banco Master, o INSS firmou um acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) para retomar a cobrança do custo operacional das instituições que oferecem crédito consignado.
Os bancos deverão pagar R$ 148,4 milhões para continuar operando nessa modalidade. A cobrança estava suspensa desde 2022 e visa fortalecer a governança do sistema financeiro.
Waller Júnior aconselhou os segurados que perceberem descontos indevidos em seus benefícios a partir de setembro de 2025 a procurarem a ouvidoria do INSS para registrar suas reclamações.
Fonte por: Poder 360
