Afastamento de Juíza em Rondonópolis por Suspeita de Irregularidades
A juíza Maria das Graças Gomes da Costa, da Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis (MT), foi afastada de suas funções devido a suspeitas de que estaria utilizando seu cargo para beneficiar seu marido, Antenor Alberto de Matos Salomão, que é réu em um caso de feminicídio envolvendo uma bancária.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso confirmou o afastamento da magistrada, que ocorreu após uma reclamação disciplinar apresentada pelo Ministério Público ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O CNJ encontrou indícios de que a juíza interferiu em processos de interesse pessoal, incluindo questões relacionadas à guarda da filha da vítima do feminicídio.
Detalhes da Investigação
Segundo informações do Ministério Público, mesmo após uma decisão judicial que concedeu a guarda da criança à avó materna, a juíza teria dificultado o cumprimento dessa ordem. Relatos indicam que ela se deslocou com a menor para um local não revelado, o que levou à expedição de uma ordem de busca e apreensão com a presença de um oficial de Justiça.
A investigação também revelou que o marido da juíza utilizou uma arma funcional pertencente a ela enquanto cumpria prisão domiciliar no mesmo condomínio. Além disso, foram registradas ligações feitas pelo réu a partir do telefone funcional da magistrada, inclusive logo após o crime.
Consequências e Próximos Passos
O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, destacou a gravidade das evidências e autorizou a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar possíveis violações aos deveres de imparcialidade e decoro. No Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho será a relatora do procedimento disciplinar.
O caso levanta questões sérias sobre a ética e a conduta de magistrados, ressaltando a importância de uma investigação rigorosa para garantir a integridade do sistema judiciário.
Fonte por: Estadao
