José Antonio Kast apresenta novo governo no Chile
O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, do Partido Republicano, anunciou na terça-feira (20 de janeiro de 2026) em Santiago os 24 ministros que comporão seu governo, que tomará posse em 11 de março. A nova equipe ministerial chamou a atenção pela inclusão de dois ex-advogados do ditador Augusto Pinochet: Fernando Barros, indicado para o Ministério da Defesa, e Fernando Rabat, nomeado para o Ministério da Justiça e Direitos Humanos.
Reações à escolha dos ministros
A escolha dos ministros gerou reações negativas de entidades que representam familiares de vítimas da ditadura chilena. Um grupo de 16 associações de familiares de detidos desaparecidos e executados políticos divulgou uma nota criticando as nomeações, afirmando que elas “constitui uma ofensa direta à memória das vítimas da ditadura e de seus familiares” e “reafirma uma trajetória de apologia ao regime e um compromisso com a impunidade”. A crítica foi especialmente direcionada a Rabat, que liderará a pasta responsável por políticas de memória e decisões sensíveis, como indultos.
Perfis dos ministros destacados
Fernando Barros, de 68 anos, possui um perfil técnico-empresarial. Formado em Direito pela Universidade do Chile, ele se especializou em tributação em instituições renomadas como Harvard e a London School of Economics. Sem filiação partidária, Barros tem uma longa trajetória na direita tradicional e atuou como advogado do ex-presidente Sebastián Piñera. Ele também fez parte da equipe que trabalhou pela libertação de Pinochet durante sua prisão em Londres em 1998.
Fernando Rabat, de 54 anos, é advogado civilista e leciona na Universidade do Desenvolvimento. Ele foi parte da defesa de Pinochet em casos controversos, como a operação Colombo, que encobriu o desaparecimento de opositores, e o caso Riggs, que investigou a má gestão de recursos públicos do ex-ditador. Rabat também é associado a Pablo Rodríguez Grez, um dos fundadores do movimento Patria y Libertad.
Objetivos do novo governo
Ao apresentar seu gabinete, Kast enfatizou que a equipe foi formada para um “governo de emergência”, com foco no combate à criminalidade e na recuperação econômica. Ele destacou a necessidade de um governo que aja rapidamente, afirmando: “O Chile precisa de decisão, caráter e de um governo que aja com rapidez. Por isso, apresento hoje um gabinete para um governo de emergência. Não há tempo a perder.”
O presidente eleito também ressaltou que a maioria dos ministros não é filiada a partidos políticos, com 16 dos 24 ministros vindo do setor empresarial. Kast afirmou que a composição do gabinete não foi resultado de negociações partidárias, mas sim de uma convicção de priorizar o Chile. Ele pediu lealdade ao país, em vez de lealdade pessoal ou partidária.
Fonte por: Poder 360
