Kits importados para veículos colocam em risco 69.000 empregos, afirma associação

Estudo da Anfavea revela impacto para fabricantes de autopeças e exportação. Confira no Poder360.

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fábrica carros

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Impacto da Montagem de Kits Importados na Indústria Automotiva Brasileira

Um estudo recente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) revela que a transição da produção automotiva no Brasil para a montagem de kits importados pode resultar na perda de 69.000 empregos diretos e afetar 227 mil postos de trabalho indiretos na cadeia produtiva.

A pesquisa destaca que a adoção dos regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) pode impactar significativamente o setor automotivo, não apenas em termos de emprego, mas também para os fabricantes de autopeças e nas exportações.

Consequências Econômicas e Estruturas de Montagem

O levantamento aponta uma possível perda econômica de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças e uma redução de cerca de R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos em um único ano. Além disso, as exportações de veículos poderiam sofrer uma queda de R$ 42 bilhões, afetando a balança comercial do Brasil.

No modelo CKD, os veículos são importados desmontados e passam por processos de soldagem e pintura no Brasil. Já no regime SKD, os veículos chegam quase prontos, exigindo uma montagem local mais simples. A montadora chinesa BYD, por exemplo, utiliza o modelo SKD em sua fábrica em Camaçari, na Bahia.

Pressão da Anfavea sobre o Governo

Em 2022, o governo federal autorizou uma cota adicional de US$ 463 milhões para veículos elétricos e híbridos desmontados, isentando o Imposto de Importação. Essa medida beneficiou a BYD e gerou críticas de montadoras tradicionais como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis, que são representadas pela Anfavea.

Com o fim do prazo de isenção se aproximando, a Anfavea está pressionando o governo para que não renove o benefício, argumentando que a manutenção de incentivos para a montagem em alto volume sem exigências de valor nacional pode prejudicar a indústria local e a geração de empregos qualificados.

Defesa da Concorrência Justa

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirma que a indústria brasileira está preparada para competir com os novos regimes, desde que as condições sejam justas. Ele ressalta que a Anfavea e suas associadas não temem a concorrência, mas buscam um ambiente competitivo equilibrado.

Em um manifesto, a Anfavea expressou sua oposição à renovação da isenção de importação de kits, argumentando que essa prática pode parecer vantajosa a curto prazo, mas não contribui para o fortalecimento da indústria nacional. A associação defende uma concorrência sem distorções e com coerência regulatória.

Até o momento, a BYD não se manifestou sobre o assunto, enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que não há pedidos para a renovação da medida de isenção.

Fonte por: Poder 360

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