Kleber Mendonça Filho, de ‘O Agente Secreto’: ‘Não tenho obrigação de fazer filmes políticos’

Longa estrelado por Wagner Moura recebe 4 indicações ao Oscar; cerimônia acontecerá nos EUA em 15 de março.

2 min de leitura
Kleber Mendonça Filho

Kleber Mendonça Filho

Filme “O Agente Secreto” Indicado ao Oscar 2026

O filme brasileiro “O Agente Secreto” foi indicado ao Oscar em quatro categorias, gerando repercussão internacional por sua narrativa sobre o uso do poder para oprimir. O diretor Kleber Mendonça Filho destacou a universalidade da história em entrevista.

Após o sucesso de “Ainda Estou Aqui”, que conquistou o Oscar de melhor filme internacional no ano passado, a nova produção sobre a ditadura militar brasileira (1964-1985) atraiu a atenção de Hollywood e já ganhou dois Globos de Ouro, entre outros prêmios.

Kleber Mendonça Filho, conhecido por obras como “Aquarius” e “Bacurau”, atribui o bom momento do cinema brasileiro ao retorno de Lula ao poder em 2023, após um período em que a cultura foi severamente afetada no país.

Impacto do Cinema Brasileiro no Cenário Atual

O cineasta, que conversou com a imprensa a partir de Recife, cidade que serve como cenário para seus filmes, acredita que a eleição de Lula em 2022 reconectou o cinema nacional, que havia enfrentado dificuldades durante os últimos quatro anos.

Ele mencionou que a recepção positiva de dois filmes que abordam a ditadura militar demonstra uma grande química entre o público brasileiro e internacional, refletindo um interesse por histórias que tratam do uso do poder de forma opressiva.

Repercussão Internacional das Histórias Brasileiras

Filmes que retratam a ditadura militar têm ressonância no exterior, pois abordam temas universais sobre o abuso de poder. O diretor acredita que a história de “O Agente Secreto” dialoga com questões contemporâneas, refletindo a lógica política atual no Brasil.

Ele observa que, apesar de estar ambientado em 1977, o filme se relaciona com a realidade política do Brasil em anos recentes, onde práticas do passado foram reeditadas em um contexto democrático.

Recepção nos Estados Unidos

A recepção do filme nos Estados Unidos foi intensa, com muitos espectadores se identificando com a narrativa, especialmente em um momento histórico marcado por críticas à política de Donald Trump e suas implicações nas liberdades civis.

O diretor destaca que a reação ao filme é emocional e reflete a atualidade dos temas abordados, mostrando que as questões de opressão e poder continuam relevantes.

O Papel do Cinema na Memória Coletiva

Kleber Mendonça Filho acredita que o cinema brasileiro desempenha um papel importante na preservação da memória histórica, especialmente em relação à ditadura. Ele enfatiza que contar histórias de forma honesta pode contribuir para uma melhor compreensão da sociedade.

Embora não se considere um cineasta político, ele reconhece que suas obras podem fomentar debates relevantes sobre a realidade brasileira.

Com a participação de Wagner Moura, que pode ser indicado ao Oscar de melhor ator, o filme “O Agente Secreto” se destaca como uma obra significativa no cenário cinematográfico atual.

Fonte por: Jovem Pan

Sair da versão mobile