Lácteos projetam crescimento moderado para 2026
Excesso de oferta e altos estoques devem frear crescimento do setor, com consumo estabilizado.
Perspectivas para o Setor Lácteo em 2026
O setor de lácteos enfrenta um ano de cautela em 2026, adotando uma postura defensiva devido às incertezas do mercado e à diminuição da rentabilidade dos produtores. Com uma projeção de crescimento do PIB em torno de 2% e um consumo ainda em retração, espera-se um reequilíbrio entre oferta e demanda. A analista Natália, do Cepea, destaca que a produção precisará crescer de forma mais moderada.
Expectativas de Produção e Desafios do Mercado
As previsões iniciais indicam um aumento de cerca de 2% na produção nacional de lácteos, uma queda significativa em relação ao crescimento de 7% registrado em 2025. Apesar do cenário desafiador, alguns fatores podem trazer otimismo, como a expectativa de menor volatilidade no mercado de grãos, o que pode estabilizar os custos de ração e melhorar as margens, mesmo com receitas pressionadas.
A pesquisadora aponta que a partir do terceiro trimestre de 2026, os preços devem se estabilizar, com possíveis picos de alta entre maio e agosto, período em que a captação em fazendas extensivas costuma diminuir. No entanto, o início de 2026 deve refletir os prejuízos acumulados no segundo semestre de 2025, com a indústria começando o ano com estoques elevados e enfrentando desafios para escoar a produção em um ambiente de maior concorrência, especialmente com a presença de lácteos importados.
Retomada do Crescimento e Impactos das Importações
Após uma crise severa em 2023, o setor lácteo brasileiro experimentou um período de tranquilidade em 2024, que impulsionou a produção e a oferta. Contudo, esse crescimento levou a um desequilíbrio no mercado interno, exacerbado pelo aumento das importações e pela estagnação do consumo. No final de 2025, o setor passou por uma reestruturação devido ao excesso de produção e à redução das margens.
O presidente da Abraleite estima que o mercado formal de leite no Brasil é de aproximadamente 25 bilhões de litros por ano, além de cerca de 2 bilhões de litros que circulam fora do sistema de inspeção. Em 2025, as importações atingiram 2 bilhões de litros, aumentando a participação de 1,5% para 9% do total consumido no país, o que ampliou ainda mais a oferta em um momento de demanda fraca.
Desempenho do Mercado e Preços
A combinação de alta produção e consumo interno sem crescimento consistente pressionou os preços e reduziu a rentabilidade. O primeiro trimestre de 2025 teve um desempenho positivo, mas o segundo trimestre marcou uma mudança significativa. Algumas categorias de lácteos conseguiram manter resultados razoáveis, enquanto outras enfrentaram dificuldades. Nos últimos trimestres do ano, a situação se deteriorou, resultando em margens estreitas tanto para produtores quanto para a indústria.
O preço médio do leite ao produtor, conforme medido pelo CEPEA-Esalq/USP, caiu para R$ 1,9966 por litro em dezembro de 2025, representando uma queda de 5,78% em relação a novembro de 2025 e de 25,79% em comparação com dezembro de 2024.
Fonte por: CNN Brasil
Autor(a):
Redação
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