Liquidações do Banco Master e da Reag: tudo o que você precisa saber

Cerca de 1,6 milhão de clientes impactados por irregularidades identificadas

18/01/2026 15:30

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Banco Master

Colapso do Banco Master e Reag Investimentos

As liquidações do Banco Master, decretadas pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso inadequado de fundos de investimento para ocultar prejuízos e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master cresceu rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade acima da média do mercado. Para sustentar esse modelo, o banco assumiu riscos excessivos e estruturou operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real se deteriorava.

As investigações da PF e os relatórios do BC indicam que o colapso do Master foi tanto financeiro quanto institucional. A conexão com a gestora Reag Investimentos e a tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB) transformaram o caso em um complexo jogo de xadrez, impactando diretamente investidores e a credibilidade das instituições financeiras.

Funcionamento do Esquema Financeiro

  • Entre 2023 e 2024, o Banco Master desviou cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações.
  • O banco emprestava recursos a empresas laranja que aplicavam o dinheiro em fundos da Reag Investimentos.
  • Esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, inflacionando os preços.
  • O Banco Central identificou seis fundos da Reag com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões como suspeitos.
  • O dinheiro circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais.

Estratégias de Adiamento da Inadimplência

  • Para evitar a inadimplência, o banco concedia empréstimos com carência de até cinco anos.
  • Novos CDBs eram utilizados para pagar investidores antigos, caracterizando um esquema Ponzi.
  • O Master oferecia CDBs com rentabilidade de até 140% da taxa do CDI, considerada insustentável.
  • Com as primeiras suspeitas em 2024, a captação secou e o caixa entrou em colapso.

Venda de Carteira ao BRB

  • Em busca de liquidez, o Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno.
  • A operação existia apenas contabilmente, sem pagamento real.
  • O BC analisou os CPFs da carteira e concluiu que as operações não existiam.
  • A mesma carteira foi revendida ao BRB por R$ 12 bilhões após manipulação da taxa de juros.
  • Em setembro, o Banco Central barrou a tentativa de venda de parte do Banco Master ao BRB.
  • A proposta de venda buscava fundir balanços e diluir a fraude em um banco público.

Intervenção e Liquidação

  • O Banco Central limitou a captação do Master a 100% do CDI, paralisando seu crescimento.
  • Desde abril de 2025, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) passou a cobrir CDBs vencidos por meio de linha emergencial.
  • O controlador tentou aportar recursos com a venda de ativos pessoais, mas sem sucesso.
  • O banco foi liquidado quando não conseguia pagar nem 15% dos vencimentos semanais.

Papel da Reag Investimentos

  • Os fundos administrados pela Reag foram essenciais para a sustentação do esquema.
  • A Reag é suspeita de facilitar a constituição de empresas laranja para emprestar a fundos.
  • Os fundos estão sendo investigados por supostamente valorizarem ativos fictícios.
  • A liquidação da gestora pelo BC é vista como um desdobramento direto do caso Master.
  • Após a segunda fase da Operação Compliance Zero, o BC decretou a liquidação da Reag Investimentos.

Tensões entre Órgãos Públicos

  • A liquidação do Master, apesar de representar apenas 0,5% dos ativos do sistema financeiro, gerou tensões entre órgãos públicos.
  • Questionamentos surgiram no STF, TCU e no Congresso sobre as decisões do BC.
  • O BC chegou a um acordo com o TCU para inspeção de documentos, respeitando o sigilo bancário.
  • O ministro Dias Toffoli, do STF, tentou convocar o diretor de Fiscalização do BC, mas desistiu.
  • Após determinar que o material apreendido pela PF ficasse no STF, Toffoli autorizou a análise pela Polícia Federal.

Impacto para os Clientes

  • Com a liquidação do Master, o FGC deverá ressarcir cerca de 1,6 milhão de clientes.
  • O FGC estima desembolsar cerca de R$ 41 bilhões, o maior resgate da história do fundo.
  • O valor é limitado a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
  • O pagamento depende da consolidação da lista de credores pelo liquidante, que ainda não foi feita.
  • Os fundos da Reag têm proteção do FGC, mas cotistas podem escolher outra gestora.
  • Fundos de pensões que investiram R$ 1,86 bilhão em fundos do Master não serão ressarcidos.

Importância Histórica do Caso

  • O episódio expôs falhas de fiscalização e uso indevido de fundos.
  • Levanta dúvidas sobre auditorias e limites da supervisão financeira.
  • O caso deve servir como referência para mudanças regulatórias e debates sobre governança no mercado financeiro.

Fonte por: Jovem Pan

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