‘Lula afirma que ninguém mudará o Pix após relatório dos EUA’

Documento do governo Donald Trump destaca novamente o Pix como uma ameaça para empresas globais de cartões de crédito, como Visa e Mastercard.

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02.04.2026 - Entrevista ao vivo para a TV Record Bahia 02.04.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante entrevista ao vivo para a TV Record Bahia. Salvador-BA Foto: Ricardo Stuckert / PR

02.04.2026 - Entrevista ao vivo para a TV Record Bahia 02.04.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante entrevista ao vivo para a TV Record Bahia. Salvador-BA Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula defende o Pix após críticas dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que “ninguém” fará o governo brasileiro recuar em relação ao sistema de pagamentos Pix. A declaração foi feita após a divulgação de um relatório do governo dos Estados Unidos, que aponta o Pix como um sistema prejudicial a empresas globais de cartões de crédito, como Visa e Mastercard.

Segundo Lula, o documento norte-americano alega que o sistema brasileiro distorce o comércio internacional. O presidente enfatizou que “o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”.

O relatório também expressa preocupações de empresas dos EUA sobre a atuação do Banco Central do Brasil, que é responsável pela criação e regulação do sistema. Há temores de que o BC conceda tratamento preferencial ao Pix, o que poderia prejudicar empresas americanas de serviços de pagamentos eletrônicos.

Críticas anteriores e investigações

No ano passado, os Estados Unidos já haviam criticado indiretamente o sistema de pagamento brasileiro ao abrir uma investigação sobre práticas comerciais consideradas “desleais” no país. Entre os pontos levantados estavam os serviços de pagamento eletrônico operados pelo governo, referindo-se ao Pix.

A investigação, iniciada em 15 de julho, foi conduzida pelo escritório do representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, com base na “Investigação da Seção 301 sobre Práticas Comerciais Desleais no Brasil”. Embora o documento não mencione diretamente o Pix, ele destaca preocupações sobre sistemas públicos de pagamentos eletrônicos.

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirmou que “o Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo a vantagem de seus serviços desenvolvidos pelo governo”.

Alckmin também defende o sistema

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), também se manifestou em defesa do Pix após o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) apontar o sistema como uma barreira aos interesses comerciais americanos. Alckmin afirmou que “o Pix é um sucesso” e que não há problemas relacionados ao sistema.

O USTR criticou ainda um projeto de lei que amplia os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre mercados digitais. Alckmin destacou que a única regulação feita pelo Brasil em relação às big techs foi o ECA Digital, voltado à proteção da infância.

O vice-presidente ressaltou que o Brasil não é um problema para os EUA, já que há superávit na balança de bens e serviços entre os países. Ele enfatizou a importância de aumentar a complementaridade e a troca de investimentos, buscando fortalecer o diálogo e a cooperação.

Expectativas para o futuro

Sobre uma possível reunião com o presidente americano, Donald Trump, Alckmin afirmou que não há agendamento, mas que o presidente Lula “sempre caminha para o diálogo”. Ele considerou as conversas entre Lula e Trump como muito positivas e acredita que há espaço para avançar nesse diálogo.

Alckmin também fez um balanço de sua gestão no MDIC, destacando projetos como o Carro Sustentável e o Move Brasil, além da política Nova Indústria Brasil (NIB) e medidas de defesa comercial.

Fonte por: Jovem Pan

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