Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou à rádio BandNews que o entrevistador fosse o jornalista Reinaldo Azevedo, que anteriormente criticou os governos anteriores do petista, porém atualmente apresenta opiniões favoráveis à administração federal.
Ao longo de seu terceiro mandato, Lula tem priorizado entrevistas às rádios, principalmente as locais. A estratégia é defendida pela Secom (Secretaria de Comunicação Social) por considerar que as rádios alcançam um grande público, especialmente em cidades menores. É comum que os entrevistadores declarem algum tipo de simpatia pelo petista ou por seu governo.
Na entrevista de terça-feira, amplamente divulgada pela Band, Azevedo defendeu Lula e fez elogios ao presidente. Inicialmente, o petista recordou o incidente em que a primeira-dama Janja Lula da Silva solicitou a palavra durante um jantar com o presidente da China, Xi Jinping, em visita oficial da comitiva brasileira para discutir a regulação das redes sociais.
Lula afirmou na entrevista que, “como bom marido”, consentiu. Em seguida, Azevedo esclareceu que o petista não era machista, por se tratar de uma ironia.
Antes de a acusação de machismo surgir, o presidente respondeu com uma risada, afirmando “eu como bom marido”. Era uma ironia. O presidente não pensa dessa forma. A ironia precisa ser cautelosa, “se fosse verde, as pessoas pensariam que era capim”, disse o jornalista.
Na fala, Lula mencionou o incidente em que afirmou ter indicado “uma mulher bonita” para estabelecer uma relação com o Congresso ao nomear Gleisi Hoffmann para ser ministra da Secretaria de Relações Institucionais.
Em outra ocasião, ao declarar “uma mulher bonita”, fui criticado. Atualmente, não posso mais mencionar a beleza, falar sobre algo, ou dizer qualquer coisa. Se alguém quiser me chamar de bonito, eu ficaria satisfeito, afirmou Lula. Azevedo respondeu: “O senhor está bonito também”.
Azevedo afirmou que economizaria para que Lula não precisasse se defender na entrevista, e explicou: “Porque, inclusive, eu sei fazer a defesa se for preciso”.
Azevedo se destacou como um dos críticos mais importantes de Lula em seus dois mandatos seguintes. Em 2016, o jornalista afirmou à rádio Jovem Pan que “combateria o PT por 13 anos” e que originou o termo “petralha”.
Criar o “petralha”, aquele que desvia recursos para legitimar um projeto de poder, ocorreu quando o PT estava no governo em Santo André [SP]. Eu identifiquei isso lá em Santo André e foi aí que criei o termo.
O Poder360 contatou a Secom por e-mail para verificar se a instituição desejava comentar sobre o conteúdo da reportagem. Não houve resposta até a publicação da postagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Fonte por: Poder 360