Manobra do banco de Edir Macedo para ocultar perdas milionárias é revelada

Manobra contábil pode ter permitido ao Digimais declarar lucro de R$ 31 milhões em 2025, ocultando R$ 480 milhões em créditos vencidos.

19/05/2026 11:30

3 min

Manobra do banco de Edir Macedo para ocultar perdas milionárias é revelada
(Imagem de reprodução da internet).

Banco Digimais e a Transferência de Créditos Problemáticos

O Banco Digimais, sob controle do bispo Edir Macedo, utilizou fundos de investimento para remover créditos problemáticos de seus balanços, evitando assim o registro de prejuízos significativos relacionados à inadimplência em financiamentos de veículos. Essa informação foi revelada por documentos de auditoria.

De acordo com os documentos, o banco transferiu carteiras de crédito consideradas “podres”, especialmente aquelas com altos índices de inadimplência, para Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) exclusivos. Essa manobra permitiu ao Digimais reportar um lucro líquido de R$ 31 milhões em 2025, embora R$ 480 milhões em créditos vencidos não tenham sido contabilizados diretamente em seu balanço, gerando ressalvas de auditores independentes.

Carteiras Podres e Níveis de Inadimplência

Um dos fundos utilizados na operação é o FIDC Tabor, que possui participação do próprio Digimais. Em abril de 2026, o fundo tinha R$ 960 milhões em carteiras de crédito, sendo que R$ 575 milhões estavam inadimplentes, representando quase 60% do total. Mais de R$ 200 milhões correspondem a dívidas vencidas há até dois anos, e uma parte significativa dessas perdas não aparece nas demonstrações financeiras do banco.

Especialistas afirmam que o nível de inadimplência do fundo é crítico. Fundos com mais de 50% de inadimplência geralmente enfrentam dificuldades e podem até ser encerrados devido à baixa perspectiva de recuperação dos valores.

Estruturas Financeiras e Gestão de Créditos

Analistas observam que o uso de FIDCs pelo Digimais não segue o padrão do mercado. A transferência de créditos problemáticos para fundos indica dificuldades na gestão da carteira. Além disso, a holding ligada a Edir Macedo adquiriu R$ 741 milhões em cotas de outro fundo, o Hermon, que está envolvido em uma disputa judicial bilionária relacionada à antiga Companhia de Mineração e Siderurgia.

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O fundo estima ter R$ 2,2 bilhões a receber, mas o caso está em tramitação há décadas na Justiça, enfrentando controvérsias sobre os cálculos de pagamento.

Operações ‘Zé com Zé’

Os documentos revelam que o Digimais transferiu carteiras de crédito com altos índices de inadimplência para fundos de investimento, permitindo que essas dívidas fossem removidas do balanço oficial do banco. Isso reduziu artificialmente o impacto dos prejuízos e melhorou os resultados financeiros apresentados ao mercado.

O que chama atenção é que o próprio Digimais é investidor de alguns desses fundos, o que caracteriza uma operação conhecida como “Zé com Zé”. Assim, os ativos saem oficialmente do balanço do banco, criando a impressão de que foram vendidos para terceiros independentes, enquanto a situação financeira real da instituição permanece inalterada.

Financiamento de Veículos e Taxas de Juros

O financiamento de veículos sempre foi o principal negócio do Digimais, representando 94% da carteira de crédito do banco em 2021. O banco é conhecido por aprovar financiamentos de carros antigos e para clientes já endividados, o que é considerado arriscado no mercado.

Além disso, as taxas de juros cobradas pelo Digimais estão entre as mais altas do país. Em dezembro de 2025, a taxa de financiamento de veículos chegou a 2,97% ao mês, equivalente a 41,07% ao ano, segundo dados do Banco Central.

Negociações com o BTG Pactual

Enquanto enfrenta questionamentos sobre sua situação financeira, o Digimais está em negociações para uma possível venda ao BTG Pactual. O BTG confirmou que assinou documentos vinculantes para a aquisição do banco, principalmente de sua carteira de clientes.

Entretanto, a operação ainda depende de leilão, condições financeiras e possível participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A transação não foi concluída e deverá ocorrer por meio de leilão, com suporte financeiro adicional.

Fonte por: Jovem Pan

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