Primeira protagonista negra da TV Globo em novela das 8
Em 14 de setembro de 2009, a TV Globo fez história ao apresentar sua primeira protagonista negra em uma novela das 8, após décadas de pouca representatividade. A personagem, Helena, foi interpretada por Taís Araújo na novela “Viver a Vida“, escrita por Manoel Carlos, que faleceu recentemente aos 92 anos. Na época, o autor minimizou a importância do fato, afirmando que a cor da pele da atriz não era relevante para a trama.
Declarações de Manoel Carlos sobre a representatividade
Em uma entrevista ao Estadão, Manoel Carlos foi questionado sobre a relevância de ter uma protagonista jovem e negra. Ele respondeu que a idade era o aspecto mais importante, e não a cor da pele. O autor expressou que sua intenção era criar uma personagem que fosse uma modelo de sucesso, sem se prender a questões raciais. Ele afirmou que a escolha de Taís Araújo se baseou em sua beleza e capacidade de convencer como top model.
Reflexões sobre a questão racial
Manoel Carlos também comentou que a novela não tinha a intenção de levantar bandeiras sobre direitos raciais, embora outros personagens negros pudessem surgir na trama. Ele destacou que a percepção do público sobre a protagonista estava mais ligada à sua cor do que à sua juventude, o que gerou discussões sobre a representatividade na televisão.
Impacto da personagem Helena
Taís Araújo, em entrevistas posteriores, refletiu sobre a importância de sua personagem e como ela impactou muitas mulheres. A atriz, que já havia sido a primeira protagonista negra de uma telenovela brasileira em “Xica da Silva” em 1996, destacou que a repercussão de “Viver a Vida” foi transformadora, levando muitas mulheres a aceitarem seus cabelos crespos e a se identificarem com a personagem.
O legado de Taís Araújo na televisão brasileira
Além de “Viver a Vida”, Taís Araújo foi pioneira em outras produções, sendo a primeira negra a protagonizar uma novela da Globo em “Da Cor do Pecado”, em 2003. Sua trajetória é um marco importante na luta por representatividade e diversidade nas telas brasileiras, refletindo a necessidade de abordar questões raciais de forma mais aberta e consciente.
Fonte por: Jovem Pan
