Maurício Camisotti: empresário confessa fraudes bilionárias no INSS

Empresário acusado de ser sócio oculto em esquema de R$ 1 bilhão faz delação premiada à Polícia Federal para conseguir prisão domiciliar.

10/04/2026 11:30

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Empresário Maurício Camisotti confessa fraudes no INSS e assina ...

Empresário Confessa Fraudes no INSS

O empresário Maurício Camisotti firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, no qual admitiu a participação em fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS. Esta é a primeira delação do caso, e o material já foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal. A defesa de Camisotti espera que ele consiga o benefício da prisão domiciliar, uma vez que está detido desde setembro do ano passado.

Além de confessar as fraudes, Camisotti enfrenta acusações de corrupção e fraude na arrecadação de dívidas. Ele é considerado um dos principais operadores da “Operação Sem Desconto”, atuando como líder empresarial e sócio oculto da Associação Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC). As investigações revelam que ele foi um dos beneficiários diretos das fraudes, que movimentaram mais de R$ 1 bilhão.

Bloqueio de Bens e Ativos

Em junho do ano passado, a Advocacia-Geral da União (AGU) bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens e ativos financeiros de associações, empresas e indivíduos investigados por fraudes contra aposentados e pensionistas. A AMBEC estava entre as instituições afetadas, com bens de réus como Jose Hermicesar Brilhante Palmeira e Marilisa Moran Garcia sendo bloqueados, totalizando R$ 512.944.978,69.

As autoridades afirmam que as entidades responsáveis pelos descontos nas aposentadorias e as empresas que prestavam serviços a elas funcionavam como uma fachada para a lavagem de dinheiro. Camisotti foi preso na mesma fase da operação que deteve Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

CPMI do INSS e Relatório Rejeitado

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou, no último dia 28, o relatório final sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. O documento propunha o indiciamento de 216 pessoas, incluindo o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. A votação resultou em 19 votos contra 12.

O relatório indicava que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria vínculos com operadores do esquema, além de sugerir alterações na legislação para criminalizar a abordagem abusiva de idosos e facilitar o processo criminal contra fraudes. O documento também propôs o fortalecimento das prerrogativas de investigação das CPIs.

Indiciamentos e Acusações

O relatório da CPMI também sugeriu o indiciamento de várias figuras-chave no esquema, incluindo:

  • “Careca do INSS”: principal operador financeiro, responsável por gerenciar empresas de fachada;
  • Daniel Vorcaro, do Banco Master: por irregularidades em contratos de consignados;
  • Alessandro Antônio Stefanutto, ex-presidente do INSS: facilitou a aprovação de acordos fraudulentos;
  • Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS: supostamente recebeu propinas para viabilizar o esquema;
  • Maurício Camisotti: apontado como líder empresarial e sócio oculto da AMBEC;
  • Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer: suposto mentor da organização criminosa;
  • Cecília Rodrigues Mota: advogada acusada de conferir legalidade às fraudes;
  • Senador Weverton Rocha (PDT-MA): supostamente atuou como sustentáculo político da organização;
  • Euclydes Pettersen (Republicanos-MG): atuou como interlocutor para garantir indicações no INSS;
  • Maria Gorete Pereira (MDB-CE): alvo da operação por indícios de participação em crimes;
  • Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência: acusado de omissão e blindagem política;
  • José Carlos Oliveira (Mohamad Oliveira Andrade), ex-ministro do Trabalho e Previdência: supostamente facilitou a rede criminosa.

Fonte por: Jovem Pan

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