Mendonça ordena investigação da PF sobre vazamento de conversas de Vorcaro
Mensagens do dono do Master são reveladas após devolução de material à CPMI do INSS após quebra de sigilo.
Ministro do STF determina investigação sobre vazamento de conversas de banqueiro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu nesta sexta-feira (6) o pedido da defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para investigar o vazamento de conversas do banqueiro para a imprensa. O magistrado ordenou que a Polícia Federal (PF) identifique os responsáveis pela violação do material sigiloso.
Na sua decisão, Mendonça esclareceu que o vazamento não está relacionado à investigação da PF, que ocorre sob supervisão do STF, na Operação Sem Desconto. Esta operação investiga cobranças indevidas de benefícios a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
O ministro destacou que a divulgação das conversas ocorreu após o material ter sido devolvido à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no INSS. Ele ressaltou que, embora as investigações tenham propósitos semelhantes, são distintas e possuem autonomia, com fontes de prova independentes.
Mensagens de Daniel Vorcaro
As reportagens revelaram trocas de mensagens de Vorcaro com autoridades, sua namorada e outros contatos. Também foram publicadas citações do banqueiro a deputados, senadores, ministros do STF, jornalistas e empresários.
Contexto do caso Banco Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e uma grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A e de outras instituições do conglomerado. Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital de Vorcaro, também teve seu encerramento forçado.
A liquidação do Banco Master foi acompanhada pela Operação Compliance Zero, que visava combater a emissão de títulos de crédito falsos. Vorcaro foi preso um dia antes da operação, mas liberado posteriormente com o uso de tornozeleira eletrônica. Ele foi detido novamente na quarta-feira (4).
As investigações apontam que o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade acima do mercado, assumindo riscos excessivos e inflando artificialmente seu balanço financeiro, enquanto sua liquidez se deteriorava.
Os casos do Banco Master e da gestora de investimentos Reag são considerados os mais graves do sistema financeiro brasileiro, envolvendo fraudes e tensões entre o STF, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central e a PF. Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, com um total de R$ 40,6 bilhões a serem pagos em garantias.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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