Ministro do STF determina manifestação da PGR sobre celulares de advogado
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (18) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve se manifestar sobre os dados extraídos dos celulares do advogado Frederick Wassef. Os dispositivos foram apreendidos durante a investigação sobre o desvio de joias e presentes oficiais recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em viagens internacionais.
A decisão foi tomada após a Polícia Federal (PF) informar, em 4 de março, que encontrou “eventos fortuitos” nos dados dos celulares de Wassef, que precisam ser investigados separadamente. Na mesma ocasião, a PGR solicitou o arquivamento do caso, alegando a falta de uma legislação clara que defina a propriedade dos presentes recebidos por presidentes.
Entretanto, a PGR ainda não se pronunciou sobre o material relacionado a Wassef enviado pela PF. Diante disso, Moraes devolveu os autos ao Ministério Público para que se manifeste sobre os dados apreendidos.
Indiciamentos realizados pela Polícia Federal
A investigação da PF resultou no indiciamento de 12 pessoas, incluindo Bolsonaro, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, e outros envolvidos. Os indiciados são: Mauro Césa Lourena Cid, Marcelo Costa Câmara, Frederick Wassef, Julio Cesar Vieira Gomes, Bento Albuquerque, Fabio Wajngarten, Osmar Crivelatti, Marcelo da Silva Vieira, José Roberto Bueno Junior e Marcos André dos Santos Soeiro.
Bolsonaro e Cid foram indiciados por crimes contra a administração pública, especificamente por peculato, devido à apropriação de esculturas recebidas durante uma visita oficial aos Emirados Árabes Unidos e ao Bahrein em novembro de 2021. Ambos também enfrentam acusações de lavagem de dinheiro, visando o enriquecimento ilícito do ex-presidente.
A PF ainda investiga o desvio de três conjuntos de joias, incluindo um “kit ouro rose” da marca Chopard, que resultou no indiciamento de Bolsonaro, Cid e outros. O “kit ouro branco”, que inclui um relógio Rolex e outros itens, também foi objeto de investigação, assim como um relógio Patek Philippe recebido no Bahrein.
Além disso, Bolsonaro e outros foram indiciados por tentativa de peculato em relação a um conjunto de joias femininas e uma escultura de cavalo dourado. Julio Cesar Vieira Gomes também foi indiciado por advocacia administrativa, por ter atuado em favor de Bolsonaro para incorporar os bens desviados ao patrimônio pessoal do ex-presidente.
Todos os 12 indiciados enfrentam acusações de associação criminosa, por atuarem entre outubro de 2019 e dezembro de 2022 com o objetivo de desviar presentes oficiais e promover o enriquecimento ilícito do então presidente. O sigilo do caso foi levantado por Moraes em julho de 2024, após a PF apresentar o relatório final da investigação.
Fonte por: Jovem Pan
